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Resposta Simples para Problema Difícil

julho/2017 - José Roberto de Souza Dias

Quanto mais difícil e complexa se torna a pergunta, tanto mais cresce a avidez por resposta simples, é o que afirma Oz, Amós, em seu livro Mais de uma luz: Fanatismo, fé e convivência no século XXI editado pela Companhia das Letras e publicado recentemente, em edição eletrônica, pela Amazon/Kindle.

Tal afirmação cabe como uma luva quando se trata de analisar o caos de nossas cidades no que se refere a mobilidade urbana. Questões difíceis e complexas, como o transporte urbano, recebem, na maioria das vezes, respostas simples e até mesmo superadas.

É o caso do rodízio de placas, quando alguns veículos são proibidos de circular nos horários de pico em um determinado dia da semana. A adoção desse sistema significa que a cidade não teve capacidade de resolver seus problemas circulatórios e para não enfartar adotou uma solução paliativa. Equivale a tratar só com aspirina o paciente de uma unidade de terapia intensiva.

Administradores medíocres pensam em agradar hoje para amanhã ganharem a próxima eleição: implantam o rodízio e corredores de ônibus, que batizam com o anglicanismo BRT, Bus Rapid Transit e se vangloriam por terem acendido uma vela na escuridão. Respostas técnicas, algumas respaldadas por estudos acadêmicos, desfilam os argumentos de sempre para defender o modelo monolítico de transporte público. Para reforçar argumentos amedrontam com os fantasmas da falta de recursos e da desgastada ladainha de que outros modais teriam que ser subsidiados.

Ao contrário da maré das mesmices, necessário se faz administrar as cidades como estadistas com o foco no futuro e não com o olho na urna. Agir com responsabilidade civil e não com interesse politico, isso significa buscar os meios nacionais e internacionais para ampliar as vias, construir soluções duradouras, romper com o monopólio do pneu, implantar o transporte sob trilhos e, nos casos específicos, como na região metropolitana de Florianópolis, estimular o transporte aquaviário público e de qualidade.

A sociedade brasileira exige que se tome atitudes mais eficientes e efetivas. Sabe perfeitamente que soluções simples só resolvem aparentemente. Exige que se faça investimentos no transporte público de qualidade, com conforto, pontualidade e até opções mais seletivas para que o usuário aprenda a deixar o carro em casa.

Os tempos agora são outros, chegou-se finalmente ao século XXI. O impacto da operação Lava Jato chega, inclusive, até as cidades, por menores que sejam. O cidadão, esse mix de usuário dos serviços públicos e pagador de impostos, está muito mais consciente e exige respeito. A mobilidade urbana com eficiência e segurança é uma de suas exigências fundamentais.

No século da comunicação instantânea sabe-se de tudo o que acontece no mundo. Acompanha-se, de perto, os avanços que ocorrem em outras cidades, como o compartilhamento de veículos e de bicicletas, os novos serviços de táxi e de Uber, inclusive aquaviário e os descontos especiais para quem deixa o veículo em casa. Conhece-se a eficiência do metrô, do monotrilho, do transporte aquaviário e até do serviço de ônibus seletivo, como os que transportam pessoas com mais de 60 anos.

O eleitor está de olho e disposto a mudar radicalmente os seus representantes. Tudo indica que as respostas fáceis para problema complexo está com os seus dias contados.

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José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP. Professor Adjunto da UFSC criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran. Secretário Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Diretor de Planejamento da Secretaria de Transportes do Rio Grande do Sul, Presidente de Honra do Instituto Chamberlain de Estudos Avançados e do Núcleo de Articulação Voluntária - NAV, Membro do Conselho Deliberativo do Movimento Nacional de Educação no Trânsito-Monatran, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc.

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