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Moto perigo à vista

julho/2017 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

A epidemiologia ligada ao transporte sobre duas rodas, de longa data não tem preocupado autoridades que implementam atitudes e campanhas que se iniciam e logo findam, não atingindo objetivo maior na diminuição dos acidentes.

Hoje crescem de maneira geométrica as vítimas do trânsito com predomínio assustador dos motociclistas, que constituem a terça parte dos óbitos no trânsito. Quando a anos atrás, início da década de 90, a moto era usada para lazer, tínhamos os acidentes acontecendo em 69% dos usuários. Havia acidentes leves, médios e graves raros. As quedas eram frequentes, predominavam lesões leves que não necessitavam atendimento médico.
A atividade de motoboy surgiu em São Paulo em 1996 e desde então o dado estatístico de incidência de acidentes mantém-se em 69% com predomínio dos acidentes graves, gravíssimos.

Temos no momento 220 mil motoboys na cidade de São Paulo e 2 milhões no Brasil.

O mercado de moto teve crescimento vertical e a venda de maneira parcelada fez a frota disparar. Em 1969 tínhamos 1,5milhão e em 2016, 17 milhões. A tendência é crescer mais rapidamente em função da mobilidade prejudicada pelos engarrafamentos e lentidão de trânsito. Muitos estão utilizando moto para ir e vir do trabalho, reduzindo o tempo gasto no transporte. O aumento da frota concorre para o maior número de sinistros. Costumamos dizer que a motocicleta é ágil, mas frágil e essa fragilidade trazendo sérias consequências para o usuário, famílias, Estado e Governo Federal.

Sofrimento e dor é o resultado de distúrbio comportamental, desrespeito às regras de trânsito, negligência, imprudência e imperícia.

Com a motocicleta, do ano de 2.000 a 2014 tivemos 222 mil mortes e 1,6 milhão de inválidos, totalizando 1,8 milhão de óbitos e feridos. Esse número absurdo mostra que em 15 anos perdemos a população de uma grande cidade.

A coisa é séria.

Será que isso não chama a atenção?

Aflorar esses números é trazer ao conhecimento daqueles que fazem uso da motocicleta e dos veículos em geral, mas principalmente para as autoridades que negligenciam com relação a proteção dos que circulam sobre duas rodas.

Podemos dizer que é uma atividade radical em função da periculosidade e penosidade caracterizada pelos riscos físico, químico, biológico, ergonômico e de acidentes. A radicalidade implementada pelo piloto da moto, que não vê riscos.

Quando alguém sobe na garupa, a possibilidade do acidente ocorrer é maior tendo em vista o desconhecimento do equilíbrio da máquina. Ainda, sem treinamento, alguns com limitações ou que também não vê limites para o risco.
Estou convicto que estaremos retrocedendo no árduo trabalho que a ABRAMET e outras entidades vem fazendo para reduzir a violência no trânsito e a preservar vidas.

Não tenho dúvida que a motocicleta é o transporte necessário para o momento. Tirando o agente poluidor, gasolina, ruído, mantendo velocidade baixa, uso dos EPIs, transitar por pistas exclusivas e muita cautela são cuidados a serem tomados.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET)

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