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E, dá-lhe atraso nisso...

novembro/2017 - José Roberto de Souza Dias

Impressionante o abismo que separa o Brasil dos países desenvolvidos, inclusive daqueles que tem a mesma idade histórica. Pior ainda, a cada avanço destes, ficamos mais atrasados e pobres. Enquanto a maioria dos nossos políticos se preocupam em como dividir o butim e se auto proteger das Leis que eles mesmos criaram, o mundo avança um pouco mais, em seu progresso ético e tecnológico.

O Senado, pressionado pelo sindicalismo sem resultados, velho, enferrujado e corrupto, se presta à atender os interesses de alguns segmentos de condutores profissionais, investe contra a modernização e o bolso da população e, com uma linguagem rebuscada e cheia de meias voltas, tenta acabar com os aplicativos que tantos benefícios trazem aos usuários de transporte público, em todas as partes do mundo.

Enquanto isso, nos Estados Unidos o Uber, em parceria com a NASA, prepara-se para lançar, em 2020, o primeiro taxi voador na cidade de Los Angeles e, importante que se diga, com a mesma tarifa do Uber Select. Simultaneamente, nossos revolucionários de boteco continuam criticando o imperialismo, sonhando com a Venezuela e andando de Uber, de preferencia select. Nossos socialistas são uma pandega!

Ao mesmo tempo que o nosso país anda de ré, em Las Vegas, capital mundial do turismo, os visitantes já podem viver o futuro. Um ônibus elétrico sem motorista, capaz de "conversar" com os sinais de trânsito, compartilhando a mesma via, com outros veículos e parando para pedestres, passa a circular nas ruas daquela cidade.

Nossos políticos, fora poucas e legítimas exceções, preocupam-se apenas com as próximas eleições e com a garantia de seu foro privilegiadíssimo. Sem qualquer sensibilidade social, não são capazes de perceber, por exemplo, que a mobilidade urbana está mudando rápida e profundamente. São cépticos às novas tecnologias ou, na melhor das hipóteses fingem aceita-las sem as compreender.

Mas, lá fora, no verdadeiro mundo real já entra em funcionamento um ônibus elétrico, inteligente, sem motorista e que se mistura normalmente com outros veículos. Não há volantes ou pedais de freio a bordo. Em vez disso, o ônibus sem condutor será guiado por câmeras dianteiras e traseiras, sensores de detecção de luz, GPS e outras tecnologias avançadas. A velocidade máxima do ônibus é de 40 quilômetros por hora, mas espera-se que passe pelo centro da cidade entre 15 e 25 km/h durante o período inicial de um ano. Um assistente humano estará a bordo para supervisionar as operações nesta etapa inicial. Durante um ano essa tecnologia será testada para avaliar qualquer conflito com o tráfego, em tempo real e determinar as adaptações para a expansão do sistema.
Segundo o Las Vegas Review-Journal, as autoridades da cidade de Las Vegas instalaram nas vias sensores sem fio que permitirão que os sinais de trânsito se comuniquem com o transporte geral, enquanto viaja ao longo de diferentes rotas, dentro de uma área ligada pelas avenidas Las Vegas Boulevard, Fremont, Carson e Oitava Avenida.

O Two Flags Post assinala que as novas tecnologias poderão reduzir, drasticamente, o número de fatalidades. Nos USA mais de 37 mil pessoas morreram em acidentes com veículos no ano passado, 90 por cento foram causados por erro humano.

As possibilidades desse novo tipo de transporte são infinitas, em pouco tempo estará entrando em outros bairros dessa cidade e se conectando com outros tipos de transporte. Surge uma nova era, o carro de propriedade particular cede lugar ao transporte público tradicional. O verbo do século XXI é compartilhar. É tempo de “driveless”, com vias e veículos elétricos e inteligentes.

No Brasil a adoção desse tipo de transporte, provavelmente resultará em greves e quebradeiras, com motoristas e cobradores inconsoláveis com a evolução dos tempos. Certamente responsabilizarão o imperialismo e a globalização.

Mais uma vez se perde o “Bonde da História” só que desta vez sob a forma de um ônibus movido a baterias elétricas, não poluente, sem condutor, seguro e higiênico.

Por essa e por outras que daqui a um ano, em outubro de 2018, será a hora de dar o troco, não votando em quem tem ficha suja.

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José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP. Professor Adjunto da UFSC criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran. Secretário Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Diretor de Planejamento da Secretaria de Transportes do Rio Grande do Sul, Presidente de Honra do Instituto Chamberlain de Estudos Avançados e do Núcleo de Articulação Voluntária - NAV, Membro do Conselho Deliberativo do Movimento Nacional de Educação no Trânsito-Monatran, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc.

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