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No trânsito e na vida

dezembro/2017 - José Roberto de Souza Dias

Todos os caminhos passam pela Educação

Quais as razões que fazem dois países construídos em uma mesma época histórica serem tão profundamente diferentes? Certamente, as razões são múltiplas, mas uma se sobrepõe sobre todas as outras: a valorização da educação como instrumento de liberdade e de desenvolvimento. Uma das bibliotecas mais importantes dos USA ostenta em seu frontispício os seguintes dizeres: “The commmonwealth requires the education of the people as the safeguard of order and liberty”, ou seja, “A comunidade exige que se eduque as pessoas como forma de salvaguarda da ordem e da liberdade”.

Todo o resto se explica por esse caminho, até mesmo o trânsito e a organização das cidades.
As cidades do mundo estão prestes a ficar muito mais ocupadas. Atualmente, mais de 50% da população mundial vive em centros urbanos e em 2050, segundo os especialistas, esse número deverá passar para algo em torno de 75%.

Esta migração em massa para as cidades pode resultar em ruas ainda mais lotadas, repletas de poluição automotiva, com mais acidentes de trânsito e congestionamentos. Ou, ao contrário, como já se projeta nos USA e na Europa, uma inversão dessas perspectivas danosas pode ser conquistada com a reconstrução de centros urbanos limpos, compactos ocupados por comunidades seguras e saudáveis.

Mais de 90% das mortes no trânsito rodoviário ocorrem em países de média e de baixa renda, como no Brasil, exatamente onde o processo de urbanização vem acelerando mais rapidamente.

Cerca de 1,3 milhões de pessoas morrem, prematuramente, a cada ano devido à poluição atmosférica provocada pelos veículos. Segundo Claudia Adriazola, do World Resource Institute, 1.2 milhões de pessoas falecem anualmente e até 50 milhões são feridas em acidentes de trânsito, esses eventos ocorrem nas cidades e a maior parte poderia ser evitada com medidas preventivas das administrações locais.

As perguntas chaves são em que tipo de cidade se quer viver? Por quanto tempo se suportará perder parte considerável do tempo útil se deslocando e aceitando os acidentes de trânsito como algo normal?

Nesta segunda década do século XXI já é absolutamente claro que a solução do trânsito e da vida nas cidades passa, obrigatoriamente, por um transporte de massas bem projetado. Segundo pesquisa do World Resources Institute, o transporte público é mais seguro que os carros particulares. Como exemplo, tem-se a cidade de Guadalajara, no México, em que 99% dos acidentes envolvem veículos particulares e apenas 1% o transporte público.

O Brasil pode até partir em direção a algumas soluções técnicas, mas os resultados serão sempre insuficientes enquanto não se educar a população como forma de resguardar a ordem e a liberdade e promover o desenvolvimento.

A todos os leitores os votos de um Feliz Natal e um Ano Novo de Paz.

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José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP. Professor Adjunto da UFSC criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran. Secretário Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Diretor de Planejamento da Secretaria de Transportes do Rio Grande do Sul, Presidente de Honra do Instituto Chamberlain de Estudos Avançados e do Núcleo de Articulação Voluntária - NAV, Membro do Conselho Deliberativo do Movimento Nacional de Educação no Trânsito-Monatran, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc.

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