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Driverless Car Admirável Trânsito Novo

março/2018 - José Roberto de Souza Dias

Desta vez não se trata de ficção cientifica, como a obra de Aldous Huxley publicada em 1932. É a mais pura realidade, o Admirável Mundo Novo já chegou com seus carros inteligentes, sem motoristas e por isso mesmo, mais seguros e possivelmente mais econômicos. Não é uma coisa absolutamente nova, nos últimos anos muito tem se ouvido falar de carros onde o motorista é dispensável.

Várias empresas do mundo investem nessa nova tecnologia, como é o caso da GM, Ford e Waymo e a Tesla. Esta ultima já está se preparando para esse mundo que antes existia apenas no universo intrigante da Social Science Fiction.

Os fabricantes dessas e de outras marcas de veículos estão cada vez mais convencidos de que esse é um caminho sem volta. O chamado self driving car, ou carro auto dirigido pode exercer um papel significativo na diminuição dos acidentes e na consequente redução de óbitos e de lesões permanentes.

Nos Estados Unidos os acidentes de trânsito matam mais de 35.000 pessoas por ano, segundo as autoridades do setor, e 95% são devidas a falhas do condutor e ou por beber e dirigir.

O Brasil, que possui uma frota significativamente menor, tem um trânsito muito mais violento e mortal. O resultado não poderia ser outro, aqui morre-se mais no trânsito que nas guerras que se espalham pelo mundo.
O trânsito brasileiro é uma foto sem retoques do Brasil da atualidade. Os nossos condutores, em grande parte, são analfabetos funcionais e compõem a primeira geração familiar no volante. Aprenderam mal e mal a manejar um veículo, decoraram algumas regras de direção, sem entender seu significado e assim, despreparados, são lançados ao transito de nossas vias. Desconhecendo noções básicas de cidadania, abusam da velocidade, do consumo de álcool e de drogas, apostam na impunidade e até mesmo na corrupção.

Os especialistas acreditam que o advento dos carros sem motoristas terá um grande impacto nessa situação dramática. Inicialmente o self driving car, ou carro auto dirigido será utilizado nos serviços autônomos de taxis da GM, semelhante aos serviços Uber e Lyft. Será comum encontrar nas esquinas pontos onde se pode entrar em um desses veículos, passar o cartão de crédito, digitar uma senha e o lugar para onde se quer ir, ou então, chamar o carro pelo celular que, sem motorista, irá buscá-lo onde quer que se encontre.

Nos Estados Unidos a GM já solicitou permissão ao Departamento de Transportes para iniciar a operação de carros completamente autônomos, desprovidos de volante e de pedais.

Segundo o New York Times, a companhia informou que o veículo CRUISE AV, para quatro passageiros, estará apto a operar sem interveniência de condutor. O carro já vem equipado com radar, câmeras e sensores no teto que permitem navegar nas ruas da cidade e reconhecer veículos, pedestres, intersecções e obstáculos. No lugar do volante há uma tela com alguns botões para o controle da temperatura ambiente e de áudio. Uma vez garantida a aprovação pelo governo federal e definidos os estados onde os veículos poderão operar, serão colocado na linha de montagem. De início o sistema irá operar em uma cidade, como por exemplo San Francisco, e posteriormente se estenderá para muitas outras.

Os planos são de colocar esses veículos autônomos em frotas de 2.500 veículos e posteriormente incorporar em múltiplos mercados e assim a humanidade passará a viver no mundo dos carros sem motoristas.
A livre concorrência - motor do desenvolvimento – impulsionará diversos serviços. A Ford planeja trabalhar com a Domino’s Pizzas e uma companhia de entregas, Post Mates, usará seus protótipos em testes limitados este ano. A start up Nutonomy iniciou uma fase experimental com self driving cars em Boston.

A Uber está com um programa piloto em Pittsburgh. A Waymo está testando seu próprio carro autônomo no Arizona e na Califórnia. A Tesla e a Audi estão também desenvolvendo um sistema de assistência a motoristas em certas condições de cruzamento de vias de alta velocidade. Acredita-se que alguns anos ainda serão necessários para a implantação desses sistemas.

Acidentes nesta fase experimental e de ajustes de tecnologia podem ocorrer e são previstos, mas não tiram a importância e o valor do projeto de direção autônoma e nem comprometem seu principal objetivo que é o de diminuir acidentes e retirar o maior número possível de carros das ruas, fazendo com que as pessoas adotem o saudável hábito de compartilhar os veículos.

No Brasil é necessário atenção para que a defesa de interesses particulares de sindicatos e de categorias profissionais não prevaleça ao direito de ir e vir garantido pela Constituição e não ocorra a criação de um emaranhado de leis e resoluções que vise impor dificuldades para se vender facilidades.

Abre-se um novo mundo onde a tecnologia dos carros autônomos estará a serviço da sociedade, espera-se que o Brasil com suas idiossincrasias ideológicas não seja, mais uma vez, exceção a regra e que esses avanços cheguem rapidamente até nós.

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José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Secretário-Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.

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