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Da Ficção à Realidade

junho/2018 - José Roberto de Souza Dias

Todos se empolgam com o novo tempo que se vive, com suas fantásticas descobertas e inovações tecnológicas, que quase de imediato, colocam o mundo na ponta dos dedos de cada um. Não existem mais distancias a separar mentes e corações, tudo está a um digito de distância.

O Século XXI que começou devagarinho, despercebido, de repente ganhou um ritmo próprio, frenético, como se o mundo fosse acabar amanhã. Os avanços tecnológicos são tão rápidos que as coisas ficam velhas, algumas vezes, antes mesmo de serem lançadas no mercado.

O que era ficção, coisas de história em quadrinhos ou filmes de 007, hoje estão nas vitrines das lojas e nas mãos das pessoas mundo afora. Ou, então, vejamos uma das últimas inovações já em fase de lançamento.
Os jornalistas Joe D'Allegromarch e Rob Stumpf, em excelente matéria para o The Drive News, descortinam um pouco mais as fantásticas novidades desse maravilhoso mundo novo.

E tudo acontece, no fabuloso celeiro de inovações tecnológicas que é a California, em cidades como San Francisco e Palo Alto, capitais mundiais das startups.

Dessa vez são as placas dos veículos, aquele pedaço de “lata” onde vem estampada as letras e os números identificadores do veículo e de seu proprietário, que de agora em diante parecem estar com os dias contados, pelo menos nos USA.

A Reviver Auto, uma startup da Califórnia, colocará no mercado placas automotivas digitais, a RPlate Pro, a primeira no mercado mundial. As placas serão vendidas através de concessionárias automotivas. Esse equipamento já está legalizado Califórnia, Texas, Flórida e Arizona, e se espera que em um ano estejam na Pensilvânia, Nevada, Maryland e Washington.

A partir de agora, em vez de um pedaço de metal fisicamente pressionado, surgem essas placas, fabricadas lembrando um e-Reader. Como um Kindle, possui um visor biestável e o "e-link" afixado na parte traseira do veículo, funciona no sistema conhecido por wireless, quase não usa energia para operar, alterando imagens e dados na placa eletrônica.

A Califórnia está começando, oficialmente, a adotar as placas eletrônicas em um programa piloto destinado a 24 moradores de Sacramento que testarão o equipamento. Como todo lançamento os preços são salgados.
Cada cliente pagará US $ 699 pela placa e uma mensalidade de US $ 7. Embora pareça caro para uma chapa, a empresa espera vender, inclusive como um meio de publicidade digital, o que no futuro poderá baratear o preço do produto.

Interessante salientar que ao estacionar o veículo a placa muda e apresenta uma imagem escolhida pelo motorista, ou uma publicidade ou avisos de interesse público. Pode até exibir um alerta se o veículo não tiver mais um registro válido ou se for roubado. Mas a novidade não para por aí, a placa eletrônica poderá contar opcionalmente com GPS e o pagamento dos tributos anuais se faz com um simples toque e imediatamente o selo aparece na tela.

Evidente, que não são placas giratórias como as usadas no protótipo do Aston Martin DB5, 1963, usado por James Bond, no inesquecível Goldfinger. Esse clássico que fez a imaginação dos espectadores da sétima arte voar, na década de sessenta, agora se transforma em algo tangível, muito mais sofisticado e ao alcance dos simples mortais.

Algumas pessoas preocupam-se com outra ficção. Para estes o momento atual assemelha-se com o livro 1984 do inglês George Orwell, distopia futurista publicada em 1949, meses antes da morte do autor, que tratava do poder totalitário de um Grande Irmão que tudo via e tudo controlava.

Extremismos à parte, as placas digitais na realidade, representam um formidável avanço tecnológico que facilitará e protegerá a vida das pessoas no transito.

Pois é, enquanto o mundo avança e se moderniza, no Brasil continua-se com o ramerrão de sempre. Já se pode até imaginar a pressão dos grupos de interesse frente a qualquer modernização desse tipo. Os senhores “donos do poder” do alto de suas tribunas defenderão o mercado de trabalho dos despachantes, como farão também quando caminhões e ônibus transitarem sem motoristas.

Mas tudo isso pode mudar, se em outubro mandarmos esses senhores de volta para suas casas, fora aqueles que pelo que deixaram de fazer tiverem outro destino. O voto pode nos levar ao século XXI ou nos deixar onde estamos. Pense! outubro está batendo na porta.


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José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Secretário-Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.

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