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Tragédia inadmissível

julho/2018 - Roberto Alvarez Bentes de Sá

Parece até história de ficção criada pelos estúdios de Hollywood, mas lamentavelmente trata-se da irresponsável realidade do trânsito brasileiro. De acordo com a Polícia Civil, o acidente que deixou cinco pessoas da mesma família mortas na BR-369, em Mamborê, no norte do Paraná, foi provocado por um racha entre cinco caminhões.

Para alguns, pode parecer apenas mais um número em meio às trágicas estatísticas de mortalidade no trânsito no país. Mas para nós, nos revolta a participação de cinco motoristas profissionais, que ao invés de darem o exemplo, tiraram a vida de cinco pessoas de uma mesma família, por razões repugnantemente banais.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), no dia 2 de julho, o condutor do caminhão estava ultrapassando em um lugar onde existe terceira faixa, quando invadiu a faixa contrária para não bater em outro caminhão que transitava na mesma direção. Com essa manobra, ele passou por cima do carro, matando todas as pessoas que estavam no automóvel: um homem de 34 anos, a esposa dele, de 30, e os filhos de 11, 9 e 4 anos. Enquanto o motorista do caminhão que provocou a batida não se feriu.

A Polícia Civil detalhou que após o acidente o motorista responsável pela batida informou pelo rádio aos outros três motoristas suspeitos o que ocorreu e eles voltaram para o local assim que ficaram sabendo da tragédia.

Embora os motoristas suspeitos tenham negado a prática de racha, “o excesso de velocidade dos quatro caminhões, os depoimentos de duas testemunhas que presenciaram a batida e a dinâmica do acidente, o caminhão invadiu a pista onde estava o carro, mesmo tendo a terceira faixa no sentido onde ele estava, indica a prática de racha na rodovia”, explicou o delegado Marcelo Trevisan.

Uma tragédia inadmissível, mas que é reflexo da cultura da certeza da impunidade em nosso país e que acabou bruscamente com os sonhos de mais uma família inocente.

Os condutores dos caminhões, com idades entre 29 e 38 anos, foram presos em flagrante pelo crime de racha com resultado morte, com pena que pode variar de 5 a 10 anos. E um quinto suspeito ainda é procurado pela polícia. Mas o fato é que tememos que a justiça amoleça mais uma vez, como já é de costume, ajudando a perpetuar os maus exemplos no trânsito nosso de cada dia.

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Roberto Alvarez Bentes de Sá
Presidente do MONATRAN – Movimento Nacional de Educação no Trânsito

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