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O Futuro na Ponta do Dedo

julho/2018 - José Roberto de Souza Dias

A sociedade brasileira assiste estarrecida o que está ocorrendo no Brasil onde, apesar da Lava Jato, a corrupção continua correndo leve e cada vez mais solta.

O resultado de tamanha roubalheira é percebido a olho nu. Não é necessário ser especialista para verificar o que se passa com a educação, a saúde, a segurança publica, o transporte e por aí à fora. Considerando as conhecidas exceções à regra, é uma vergonha, o que os chamados donos do poder, de todas as cores e bandeiras fazem com o Brasil.

Destaca-se entre os problemas brasileiros a violência no trânsito, que interrompe vidas e sonhos, principalmente de jovens. Estes na garupa de suas motos tentam sobreviver em um país, onde a qualidade do ensino mais afasta do que retém os alunos em sala de aula. O caminho que seguem são às ruas, o tráfico e as celas das prisões. Quando escapam de tudo isso, compram suas motos em longas prestações, são devorados por trabalhos insanos que colocam suas vidas em risco a cada quilômetro rodado.

Assim como a maioria das questões brasileiras, a violência nas ruas vincula-se obrigatoriamente à carteira escolar. É um simplismo admitir que a educação no trânsito ou medidas técnicas e fiscalizadoras, por sí só, reduziriam os níveis de sinistralidade.

Acredita-se que só a formação escolar sistemática e contínua será capaz de diminuir os índices alarmantes de analfabetos funcionais, estes sim responsáveis pela maioria dos acidentes que ocorrem nas vias urbanas e nas rodovias do país.

Fundamental grifar que a Escola pode diminuir a violência. Certamente não é a que ensina apenas as primeiras letras e as contas de somar e dividir, ou que faz de seus professores pregadores ideológicos. É necessária uma Escola que ensine a pensar, raciocinar, calcular, interagir, respeitar e que complemente e amplie a educação moral e cívica que se espera já venha das famílias.

O acidente é multifacetado, no caso do acidente rodoviário a presença do caminhão é prevalente, uma vez que compõe a maioria dos eventos dessa natureza.

Isso se deve ao fato da carga ser majoritariamente transportada pelo modal rodoviário. Para se ter uma ideia, o arroz produzido em Rio Grande, no extremo sul, é levado no lombo do caminhão para o porto de Recife. Isso chega a inviabilizar o produto nacional que perde competitividade para similares produzidos em outras partes do Mundo. Tal fato se repete com vários outros produtos que poderiam utilizar ferrovias e hidrovias, barateando fretes e consequentemente diminuindo as fatalidades rodoviárias.

Entretanto, no Brasil a navegação de cabotagem – costeira - foi praticamente abandonada. A malha ferroviária produtiva é a mesma do Império. Atualmente possui 30.129 km de extensão, um terço aproveitada transportando minério e os demais subutilizados.

No Império, nos anos 1800, a linha férrea tinha um terço da extensão atual, mas sua ocupação era equivalente. O setor cresceu pouco se comparado com a malha ferroviária americana, que é dez vezes maior. Segundo especialistas do setor, a eficiência da multimodalidade só virá com 52 mil km de ferrovias interligadas a portos, rodovias e hidrovias.

Educação e Logística são investimentos no futuro, não são coisas para qualquer um, mas uma obra para Estadistas, alguém que não pense apenas nas próximas eleições, mas sim nas próximas gerações, sem se esquecer da atual.

Profundas mudanças estruturais e não pequenas maquiagens poderão melhorar e mesmo salvar vidas no trânsito.

Tudo isso pode mudar. Em outubro o poder estará na ponta de seu dedo, ajude a Lavar o Brasil a Jato.

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José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Secretário-Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.

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