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Sonhos enterrados

dezembro/2018 - Roberto Alvarez Bentes de Sá

Localizada no Litoral Norte de Santa Catarina, Balneário Camboriú é um dos principais destinos turísticos do sul do Brasil e do Mercosul. Além das praias e atrativos turísticos, a cidade possui comércio forte todos os dias do ano.

Famosa também pela verticalização de seus imóveis, Balneário Camboriú concentra alguns dos prédios mais altos do Brasil. Mas as edificações são apenas parte das atrações da cidade, que se destaca também pelas paisagens naturais e pelo contraste entre a imponência dos arranha-céus e a singeleza das comunidades de pescadores.

Ao longo da alta temporada, a cidade é visitada por mais de um milhão de pessoas. O espaço mais badalado da cidade é a orla da Praia Central, com seus cerca de sete quilômetros de extensão. Por toda a Avenida Atlântica, há bares e restaurantes com gastronomia variada e música ao vivo.

E foi justamente neste cenário paradisíaco e sempre movimentado de pedestres que, há poucos dias, um idoso foi atingido fatalmente por um veículo, cujo motorista apresentava sinais de embriaguez, em plena luz do dia.
De acordo com informações da Polícia Militar, o homem de 74 anos atravessava na faixa de segurança da Avenida Atlântica quando foi atingido por um Chevrolet Cruze, conduzido por um motorista de 66 anos.

A violência do impacto foi tão grande que, no momento da chegada das viaturas, o corpo da vítima estava a cerca de seis metros do local em que o atropelamento foi registrado e populares tentavam linchar o motorista do Cruze.

Mais uma vida que se foi... um simples passeio à beira-mar, que se transformou em luto. Uma tragédia que nos consome a alma, nos dilacera o peito... e pensar que, num piscar de olhos, os sonhos de alguém foram abruptamente enterrados, sem chance de defesa.

Lamentavelmente, percebemos que não podemos confiar no bom senso alheio. Não basta respeitar a sinalização de trânsito, atravessar na faixa de pedestres... é preciso se preocupar com a irresponsabilidade do motorista, que assume o volante após ter ingerido álcool, drogas ou mesmo remédios fortes, assim como aquele que fala ao celular enquanto dirige, sem esquecer daquele que está distraído com a música alta ou simplesmente não está prestando atenção ao que se passa em sua volta. Enfim, o trânsito é coletivo e a nossa vida, cada dia mais fugaz.

Faça a sua parte! Sempre! Mas não se esqueça de se preocupar além. Enquanto formos um país que não coloca o trânsito como prioridade na educação, continuaremos a contar nossos mortos, nessa guerra silenciosa e desleal. Continuaremos a desafiar a morte até mesmo em um simples passeio à beira-mar.

Que os familiares deste cidadão, ainda mais abalados pelo não cumprimento da lei, pois o “assassino”, após pagar uma fiança, foi solto, assim como de tantas outras vítimas, encontrem conforto e forças para superar este momento de dor. Mas, sobretudo, que histórias como esta nos levem a refletir onde estamos errando e como podemos ajudar quem fica. Que a nossa luta seja por um trânsito mais humano e seguro! E que as futuras gerações tenham menos tragédias para contar.

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Roberto Alvarez Bentes de Sá
Presidente do MONATRAN – Movimento Nacional de Educação no Trânsito

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