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Ar Condicionado e Veículo

março/2019 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

A evolução da tecnologia nos leva ao conforto térmico no interior de veículos. Enquanto do lado de fora temos 35º C, lá dentro temos 20 a 22º C.
Para esse conforto, não podemos esquecer que riscos importantes - físicos e biológicos - poderão trazer consequências que variam de leves a graves.

Risco Físico
1. Quando se sai do veículo
Percebe-se:
 A sensação de calor lá fora é muito maior. Elevação súbita da temperatura. Pele quente;
 Não há tempo suficiente para adaptação;
 Ressecamento súbito dos condutos nasais;
 Ocorre uma vasodilatação periférica;
 Redução súbita do fluxo sanguíneo cerebral;
 Perda líquida rápida através da pele tentando equilibrar a temperatura corporal;
 Redução da frequência cardíaca e respiratória.

E quais são os sinais e sintomas decorrentes dessa saída súbita do automóvel, com ar condicionado ligado, para a rua, onde a temperatura está elevada?
 Calor intenso;
 Queda da pressão arterial;
 Tonturas,
 Desmaios;
 Desequilíbrio hidro-eletrolítico;
 Os hipotensos (pressão baixa) tornam-se mais hipotensos;
 Sonolência;
 Torpor;
 Adinamia.

2. Para quem fica no veículo
 No momento da abertura da porta, o ar quente domina o ambiente. Ocorre súbito aumento da temperatura podendo produzir sinais e sintomas idênticos aos descritos anteriormente, porém minimizados.
3. Para quem entra no veículo
 Ocorre uma queda brusca da temperatura;
 Sensação de variação térmica é maior;
 Cartuchos nasais não têm tempo hábil para adaptar-se, não conseguindo aquecer o ar, hipertrofiam-se;
 Pode ocorrer sensação de nariz úmido e coriza.
 Dependendo da sensibilidade individual, os sintomas serão maiores ou menores.
 Ar frio chegando à faringe, cordas vocais, traquéia e brônquios, resfria o tecido de revestimento interno produzindo maior umidade no trajeto;
 Vaso constrição periférica;
 Aumenta o fluxo sangüíneo cerebral;
 Hipertensos se tornam mais hipertensos;
 Aumenta freqüência cardíaca e respiratória..

E o que se sente nestas condições?
 Irritação no nariz com espirros e sensação de umidade
 Coriza;
 Frio intenso;
 Tosse;
 Rouquidão;
 Sensação de obstrução ou entupimento nasal;
 Sensação de obstrução da orelha por comprometimento da trompa que ventila a orelha média;
 Dor muscular;
 Dor nevrálgica;
 Paralisias comprometendo nervos periféricos;
 Cefaléia.

Risco Biológico
Ocorre a presença de microorganismos insuflados no ambiente pelo equipamento. A umidade do ambiente permite também proliferação de microorganismos levados para o interior do carro através roupas, sapatos, etc., que alojados nos assentos e carpetes do veículo proliferam.

Com o desligamento do sistema de ar condicionado, a temperatura sobe, atingindo condições ideais para crescimento de microorganismos. É o caso do ácaro, elemento altamente sensibilizante das vias respiratórias, capaz de produzir quadros alérgicos respiratórios como a rinite, traqueíte e bronquite.

Mas além de tudo isso, esquecemos que o insuflador de ar frio e quente necessita de manutenção permanente, não só na troca do filtro, mas em todo o seu conteúdo. A umidade que persiste no seu interior, somado ao calor ambiente quando desligado, permite proliferação de bactérias, fungos, bacilos e vírus e no dia seguinte ao ligar novamente o aparelho serão lançados no espaço confinado do veículo.

As pessoas presentes, ao respirarem, permitirão a entrada de tais organismos nas vias respiratórias, podendo evoluir para infecções importantes. Contaminam ainda pele, mucosas, olhos. Dependendo da virulência (poder de destruição do micróbio) e também do estado imunológico do indivíduo poderá evoluir com um quadro infeccioso que aparecerá no decorrer dos dias.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e membro efetivo do Conselho Deliberativo do Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito.

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