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Inconsequência

maio/2019 - Roberto Alvarez Bentes de Sá

Há alguns meses, Florianópolis foi invadida por centenas de patinetes elétricos para uso compartilhado, através de aluguel online e disponibilizados em diversos pontos da cidade. A novidade foi tão bem aceita por moradores e turistas, que despertou o interesse de uma segunda empresa do mesmo segmento. E, embora elas não revelem os dados referentes ao número de patinetes disponíveis alegando questões estratégicas, estima-se que existam cerca de mil equipamentos na cidade.

Todavia, como quase tudo nesse país, em nome do lucro rápido, passam a carroça na frente dos bois, e os referidos patinetes foram despejados na capital catarinense, assim como em diversas grandes cidades do Brasil, sem nenhum tipo de orientação por parte das empresas ou mesmo regulamentação, seja por parte do órgão máximo do trânsito no país (DENATRAN – Departamento Nacional de Trânsito), seja pelas prefeituras ou governos de Estado.

Tal absurdo tem transformado as ruas em locais sem lei para os patinetes e seus usuários, que muitas vezes circulam em alta velocidade entre os carros e “cortam” a frente dos pedestres, transitam ainda sem o uso de equipamentos de segurança e chegam até a carregar crianças bem pequenas, mesmo sendo óbvio que o veículo é de uso individual. Isso sem falar nos patinetes que são “abandonados” em qualquer lugar da cidade, no meio das calçadas, atrapalhando a circulação da população.

As empresas se abstém da responsabilidade, alegando que que disponibilizam as informações de segurança no momento em que o usuário se cadastra no aplicativo, afirmando ainda que têm como “prioridade” a prevenção de acidentes e que trabalham para intensificar as campanhas de conscientização em prol do uso correto dos patinetes, através do aplicativo e pelas redes sociais. Mas a verdade é que não houve nenhum tipo de orientação eficaz para a população, que acabou aderindo ao serviço sem ter real noção dos perigos a que ficou exposta.

No dia 29 de março, a Prefeitura de Florianópolis foi uma das primeiras cidades brasileiras a correr atrás do prejuízo e publicou um decreto sobre a regulamentação do serviço de compartilhamento de patinetes elétricos “para pequenos deslocamentos em áreas restritas”. Mas... a maioria das normas estipuladas simplesmente não saiu do papel. A fiscalização quanto ao uso irregular dos equipamentos não existe e o cidadão desorientado continua a se arriscar e a colocar em risco a vida dos outros.

Lamentavelmente, muita gente acaba considerando o patinete elétrico como um brinquedo, quando na verdade trata-se de um meio de transporte que, como tal, deve ser utilizado com a devida responsabilidade.
Mas o que mais nos indigna é que as autoridades ditas competentes parecem fazer vistas grossas, fingindo não enxergar os diversos acidentes que já estão ocorrendo. Só esperamos que não ocorra nenhum caso fatal, antes que resolvam abrir os olhos.

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Roberto Alvarez Bentes de Sá
Presidente do MONATRAN – Movimento Nacional de Educação no Trânsito

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