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Motoboys

junho/2019 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

Alguém, quando fazia uma pergunta em um seminário que participei, indagava por que uma estrada ou via é projetada sem que se pense no pedestre, no atravessar, na necessidade de caminhar pela via e de ter o mínimo de segurança para não sofrer danos e poder ir e vir com o direito assegurado pela Constituição.

Infelizmente, os projetos no nosso país são restritos. Em nenhum deles centraliza-se o homem como usuário do sistema e logicamente em nenhum deles se tem o enfoque sobre a preservação da vida, redução dos riscos de acidente e melhora da qualidade de vida, coisa que hoje se persegue a todo custo em todos os países desenvolvidos. Não se consegue visualizar o transporte como um problema de saúde pública em nosso país.

As estatísticas mostram percentuais de acidentes altíssimos nas estradas e mesmo nas áreas urbanas.

As estatísticas das unidades de terapia intensiva se alongam com números de acidentes no transporte enquanto as vagas desaparecem. Hoje, em média, 30% (trinta por cento) da ocupação hospitalar em terapias intensivas são com vítimas do trânsito nos grandes centros.

Na Grande São Paulo, hoje, há um tipo de acidente bastante específico e que gera uma média de 25 vítimas graves por dia e que necessitam de UTI. Tais acidentes são aqueles que ocorrem com os “Motoboys”, hoje, “Moto fretes”.

Além da ocupação hospitalar sabemos que o tempo de permanência e a reabilitação de tais pacientes serão em longo prazo.

Supondo-se um custo individual de cinco mil dólares, o estado ou município chega a gastar dois milhões e quinhentos mil dólares por mês e trinta milhões de dólares por ano. O fato passou a compor o dia a dia da cidade, do sistema de saúde e dos custos gerados por tudo isso.

E por que estamos diante deste problema?

Exatamente dentro daquela pergunta que iniciamos esse texto. Fez-se a rodovia, mas esqueceram do homem que vai utilizá-la. A partir dos problemas que vão surgindo, vão aparecendo soluções paliativas que somadas constituíram um projeto com tantas modificações e adaptações que não atendem as reais necessidades de segurança do homem como usuário.

A prioridade, hoje é do motoqueiro. Criou-se uma faixa da população que tem pressa, pressa na realidade para chegar ao fim da vida, pressa para chegar ao cemitério.

Se houvesse um sistema integrado de proteção ao trinômio Homem, Máquina, Meio, garantimos que não estaríamos vivenciando momentos decadentes de uma sociedade que dentro de seus veículos temem toda sorte pelo isolamento em que estão. O risco de assalto, do acidente e de ser surpreendido na via pública quando um motoqueiro abalroar o seu automóvel, ou ao interromper o seu trajeto fazendo você descer do carro e ter o desconforto de ver um cidadão que não temia a vida estatelado ao solo, ensanguentado e algumas vezes morto. É esta dor que nenhum motorista quer ter e busca nas autoridades normas que regulamentem o trajeto do veículo que hoje circula entre os carros, ônibus, caminhões e carretas desrespeitando as regras de trânsito.

Esses indivíduos deterioram a qualidade de vida no trânsito, trabalham à margem da vida, provocam desrespeito na relação homem-máquina-meio, geram custos hospitalares altíssimos e transformam-se em verdadeiros doadores de órgãos quando chegam à UTI.

Quando um sofre um acidente todos se solidarizam. Param para prestar socorro e condenar o carro que julgam ter sido o responsável pelo acidente. Por conta disso já vi até agressões físicas e ao patrimônio de quem dirigia.
A coisa está virando caso de Polícia!

Só não vemos ações corretivas dos órgãos governamentais quer na legislação, educação ou fiscalização com o objetivo de melhorar a qualidade de vida no trânsito.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e membro efetivo do Conselho Deliberativo do Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito.

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