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Doença epidêmica no trânsito

julho/2019 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

A preocupação do Ministério da Saúde com Dengue, Chikungunya, Zika, Febre Amarela, Sarampo, Poliomielite é prevalente, eficiente e trás a todo momento informações, campanhas e ações bem detalhadas. Mantém equipes treinadas para ir de casa em casa imunizar, combater focos, fazer levantamento epidemiológico, cuidar de pacientes e dar todo apoio a população. Belo trabalho de prevenção com resultados excelentes.

Quando olhamos para outro foco de doença, a via pública, não vemos essa atenção, prevenção e equipes para exterminar o foco do que não se vê como doença.

Entendo que outros ministérios teriam que participar de ações concretas como o das Cidades, Transporte, Planejamento, Educação, para unidos executarem a erradicação da doença no trânsito que de longa data torna-se epidêmica.

A eficiência do Ministério da Saúde reduz e até erradica doenças.
Óbitos em 2017:
Dengue – 17
Chikungunya – 196
Zika – Zero
Febre Amarela – 98
Sarampo – Zero
Poliomielite – Zero

Preciso destacar, diante das ações preventivas vistas acima, a situação quando se está em mobilidade como pedestre, ciclista, motociclista e motorista que subitamente tornam-se doentes que evoluem para a morte ou incapacidade temporária ou definitiva para o trabalho.

Mortes por Acidente de Trânsito em 2017 – 47.000

É assustador, 130 mortes por dia, é um Boeing caindo por dia.

Nada efetivamente é visto com medidas preventivas a começar pela educação, campanhas permanentes, formação de condutores, fiscalização severa, educação continuada, perfeita avaliação física, mental e outras.
A ausência de recursos humanos das CETs, Polícias Militares, Civis, Municipais e Rodoviárias do país é o motivo principal para que não seja feita a fiscalização e ações ostensivas contra os infratores do trânsito e até da bandidagem.

Porque o contingente noturno de policiais é tão pequeno? Porque pouco os vemos nas ruas? E os policiais militares de trânsito que não vemos?

Não podemos achar que essas mortes no trânsito sejam meros acidentes, justifica-las como do destino, foi Deus. Sabemos todos que o vetor é o ser humano em sua essência tanto na mobilidade a pé como sobre uma máquina e que 96% das mortes são causadas pelo fator humano.

As cidades precisam de policiamento ostensivo 24 horas por dia. Parece que as autoridades transitam na contramão das nossas necessidades.

Estamos evoluindo para o término da década de redução de mortes no trânsito proposto pela ONU, nossa realidade não se modificou, estamos com números semelhantes aos do início da década e nenhuma atitude drástica da sociedade ou mesmo governamental vimos, o que parece que continuará.

Nas propagandas políticas do momento, nada está sendo enfatizado sobre o assunto. A sociedade espera políticas de prevenção dessa absurda mobilidade que é agente causal de mortes e sequelas, incapacidades temporárias e definitivas que trazem prejuízo econômico, financeiro, queda da produtividade, empresarial, governamental e social.

A vacina para esse mal está pronta, necessita apenas execução.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e membro efetivo do Conselho Deliberativo do Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito.

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