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Calor sobre Duas Rodas

agosto/2019 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

A exposição ao calor faz parte do dia a dia do motociclista. Não tem como fugir do sol que durante todo o ano e independente da estação está presente. Os motores dos veículos, os vapores e gases eliminados ajudam no aquecimento. A poeira, fuligem, monóxido de carbono (co) e dióxido de carbono (co²) parecem concentrar o calor impedindo sua dissipação. Com isso aumenta temperatura corporal, aparece o suor, maior oleosidade da pele e couro cabeludo.

Perde-se mais líquido e sais que nos desidratam.

Em função desta exposição, dependendo do tempo, da frequência, da intensidade da mesma e das condições do organismo de cada um, poderá apresentar algumas queixas leves e até manifestações graves que requerem cuidados de urgência.

Torna-se importante comentarmos três situações muito comuns no trabalho diário sobre duas rodas.

“PROSTRAÇÃO PRODUZIDA PELO CALOR”.

A exposição excessiva ao calor somada ao trabalho repetitivo, estresse, aumento da temperatura corporal, provoca como dissemos maiores perdas de líquidos e sais o que leva à fadiga, queda da pressão arterial, tonteira, escurecimento da visão, desmaio, outros. Essa perda líquida ocorre principalmente pela transpiração (suor). Tudo isso leva a desequilíbrio de água e sais na corrente sanguínea o que faz com que vários órgãos passem a funcionar mal.

O primeiro desses órgãos a reclamar é o cérebro e cuja manifestação é a prostração. A intensidade do sintoma poderá agravar-se após uma alimentação, quando dormimos mal ou quando já iniciamos a jornada de trabalho cansados.

Lembramos aqui que esta é uma queixa comum no desencadeamento de acidentes.

“CÂIMBRAS”

Com a perda de líquidos e sais pode aparecer dor súbita nas mãos, panturrilhas (batatas das pernas) e pés. É uma dor intensa produzida por espasmo (contração). O músculo contrai-se e mantém-se contraído, com isso não recebe sangue, torna-se isquêmico, daí a dor. O agente causal é o desequilíbrio da água e sais que citamos. A contratura logo desaparece espontaneamente.

Para evitar tal quadro devemos nos manter em ambiente ventilado, repor eletrólitos (sódio, cloro, potássio) e bastante líquidos.

“INSOLAÇÃO”

É causada pela excessiva exposição ao sol.

O mesmo mecanismo acontece, perde-se líquido e sais.

A temperatura corporal eleva-se muito podendo chegar a 40° e até 41°C.

O suor serve na realidade para equilibrar a temperatura do corpo. Quando suamos estamos arrefecendo o organismo (reduzindo a temperatura do corpo).

No quadro clínico da insolação o indivíduo não transpira (não sua) em conseqüência armazena cada vez mais calor. O produto da digestão dos alimentos, somado com o oxigênio penetra na célula que por sua vez os transforma em energia (calor). O organismo funciona como uma usina geradora de energia, o produto é calor.
Os sintomas mais comuns são:
- redução do suor
- pele quente, avermelhada e seca
- coração bate acelerado
- aumenta a frequência respiratória
- aumento da temperatura (pode chegar a 40 e até 41°C)
- desorientação (confusão mental)
- convulsões

Diante de um quadro de insolação o paciente necessita de atendimento médico de urgência.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e membro efetivo do Conselho Deliberativo do Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito.

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