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Veículos crescem, rodovias não

dezembro/2019 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

Cidades crescem com puxadinhos daqui puxadinhos dali, sem planejamento para um crescimento futuro.

O desenvolvimento automotivo exige mudança radical no plano urbanístico, no entanto, nenhuma cidade foi preparada para receber essa novidade. Não é só a introdução da tecnologia nos veículos, as montadoras incrementaram o dimensionamento de caminhões, carretas, ônibus no sentido longitudinal, vertical e transversal, passando o veículo a ocupar quase todo o espaço onde circula. O peso logicamente acompanhou o maior dimensionamento. Passou a ter grande possibilidade de veículos se tocarem na via o que ocasionará certamente saída da pista, tombamento e a violência no trânsito estará configurada. Esses veículos na área urbana tornam-se monstruosos em função das vias não terem sido preparadas. Lembro que alguns são biarticulados, as vezes tri articulados e as manobras à direita ou esquerda levam à possibilidade de acidente.

Para essa manobra há necessidade de abrir bem o espaço para não se ter o desconforto de ter o reboque passando sobre a calçada, se chocando contra o poste, atropelando um pedestre ou abalroando um veículo, ciclista ou alguém que transita naquele espaço. Entram aí irregularidades do piso, lombadas, buracos. Quantos acidentes já foram registrados nas rodovias, nas áreas urbanas e quantos mais acontecerão?

Poucas são as cidades planejadas que podem receber esse tipo de veículo.

Nas áreas urbanas há grande possibilidade de acidentes de veículos contra veículos e contra pedestres. O motorista com CNH categoria E tem que estar bem treinado para o trajeto que vai percorrer e ainda recebendo educação continuada.

Temos observado que algumas empresas ainda submetem esse motorista a dupla jornada e dupla função (motorista/cobrador) o que torna o profissional desconcentrado para o exercício de uma direção segura. A distração, preocupação com o cobrar, dar troco, estar atento ao sobe e desce do veículo, as portas desse veículo articulado, o trânsito que não anda, pedestres que circulam ao redor, outros veículos que se interpõe no seu trajeto, tudo é motivo para chegar a exaustão física e mental.

O estresse físico, mental e social estará presente concorrendo para a direção insegura e consequentemente predispondo ao acidente.

Áreas urbanas, rodovias não estão preparadas para receber tais veículos assim como motoristas não estão preparados para assumirem esse tipo de trabalho.

Precisamos transportar mais gente, precisamos transportar mais carga, precisamos preparar nossas vias, precisamos ir e vir de maneira segura. A mobilidade humana precisa realmente ser mais confortável, menos exaustiva, não desgastante, mais rápida, com menos custo e bem mais segura.

O surgimento de um transporte em via férrea será o redutor dos nossos acidentes, teremos um transporte mais seguro, menos poluente, mais confortável, mais rápido, mais barato, transportando mais gente, mais carga e levando a maior desenvolvimento do país.

Não podemos entender como um motorista de um coletivo, onde múltiplos fatores de risco estão presentes, submetendo o condutor até a doenças profissionais, tenha que multiplicar sua atividade passando a cobrar, dar troco e se estressar cada vez mais além do que a atividade principal lhe impõe.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e membro efetivo do Conselho Deliberativo do Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito.

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