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Cidade, essa grande vitrine da vida

janeiro/2020 - José Roberto de Souza Dias

A esperança é um traço cultural muito comum na sociedade brasileira e torna-se marcante no início de cada ano. Muitas pessoas, nessa época do ano, tem o hábito saudável de fazer um balanço de suas realizações e traçar novos planos para o futuro.

No mês de janeiro, quando os impostos batem a porta, é o momento propício, também, para avaliar o mundo ao redor, os riscos de se viver sob constante ameaça, como conflitos internacionais, crises econômicas e alterações climáticas, principalmente as provocadas pelo próprio homem e que podem interromper sonhos e vidas.

Mas se tudo isso parece tão distante, que tal lançar o olhar sobre os governantes mais próximos, como prefeitos e governadores, que na ânsia de permanecerem no poder, à qualquer custo, são levados à fazer coisas absolutamente impensáveis.

Para saber com segurança se os seus projetos pessoais serão viáveis é fundamental passar pela soleira da porta, sair caminhando, pegar o carro, o ônibus, o metrô, o Uber ou tentar sobreviver ao caos urbano à pé, de patinete elétrico ou de bicicleta.

Mas se o comodismo não permite tanto, é só entrar em uma rede social e assistir no conforto do lar o que os políticos de plantão fazem com os mandatos que lhes conferiu pelo voto.

Lembre-se que se os olhos são o espelho da alma, as cidades são o retrato perfeito de seus governantes. A calçada por onde todos passam diz mais sobre o recôndito das intenções de um governante que todos os seus discursos juntos. Com um detalhe, as calçadas não possuem tapete por debaixo do qual se possa esconder mal feitos de toda natureza.

A calçada é, também, um palco onde a vida se apresenta como comédia ou tragédia. Algumas vezes transforma-se em um picadeiro, principalmente a cada dois anos, quando políticos inescrupulosos – nem todos, evidentemente – ganham as ruas como mágicos, contorcionistas e palhaços, ludibriando o distinto público com os velhos truques do ilusionismo e da prestidigitação.

Para permanecerem no poder vossas excelências são capazes de prometer quase tudo, mesmo sabendo da impossibilidade econômica e política para realizarem. Entretanto a cidade, essa grande vitrine da vida, não perdoa, e mostra em toda sua nudez o que dela fizerem.

Observe com olhos clínicos o que gestões, de variados partidos realizaram nos últimos anos de seus governos, fique atento para obras e principalmente inaugurações que ficaram estocadas para o momento da virada administrativa. Mas, cuidado, poderá ser aterrorizante...

Essa é a época, por exemplo, de tapar buracos, pintar meio fio, renovar sinalização viária, deixar camelôs ocuparem as vias em nome dos princípios democráticos, espalhar banheiros químicos fétidos em locais populosos, pegar criancinhas no colo, inaugurar parques infantis e mais uma vez, prometer um transporte público eficiente.

Agora, de posse de informações reais, colhidas nas calçadas de sua cidade, no congestionamento, no ônibus apinhado, e até na fila do banheiro privado de um mercado público qualquer, avalie em quem votar nas próximas eleições e lembre-se que a concretização dos seus projetos de vida dependem da qualidade do lugar onde vive.

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José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Secretário-Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.

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