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O que pensam os candidatos que foram para o 2º turno

24/10/2018

GELSON MERÍSIO

1.       A cada ano, tem aumentado o número de mortos e sequelados em decorrência de acidentes nas estradas do país. Quais são as suas propostas para a prevenção de acidentes nas estradas catarinenses?

R: Nosso foco é concluir a pavimentação das rodovias estaduais que estão em obras e desenvolver um modelo contínuo de manutenção das estradas. Em outra  frente, cobrar junto ao Governo Federal a duplicação de rodovias federais que cortam nosso Estado, especialmente a BR-282, BR-470 e BR-280, além da conclusão do Contorno Viário da Grande Florianópolis. Obra pública precisa ter prazo de conclusão e definição dos aportes anuais. Historicamente, uma das nossas dificuldades é que não há programas para manutenção, ampliação de capacidade e recuperação de rodovias já pavimentadas. Isso é uma deficiência de mais de 20 anos, no planejamento de médio e longo prazo, em parte também por uma base de dados incompleta sobre as obras catarinenses realizadas nas duas últimas décadas.

Realizar essa ampliação de forma significativa na mobilidade,  acessibilidade e segurança viária do cidadão, irá gerar uma significativa redução nos índices de acidentes e reduz também a perda de carga nas estradas, aumentando nossa produtividade. Resultado claro: maior qualidade de vida para população e aumento da competitividade das empresas catarinenses.

2.       O trânsito na Grande Florianópolis está à beira de entrar em colapso. Quais são suas propostas para a melhoria da mobilidade na região?

R: Precisamos defender nossas virtudes: um Estado empreendedor, eficiente e com vocação para exportar. Temos muitos bons indicadores e que nos ajudarão a superar nossos problemas. A solução para o tráfego intenso em Florianópolis não é simples, assim como não é para o trânsito em Joinville, Itajaí, Chapecó, Criciúma, Blumenau e outras grandes cidades catarinenses. Parte de uma lógica de planejar e oferecer opções para o transporte. Hoje, quase metade dos deslocamentos na região da Grande Florianópolis é feito por transporte individual, muitas vezes uma única pessoa por carro. Melhorar o transporte coletivo será apenas um primeiro passo. O Estado precisa ser um parceiro dos municípios na execução de ações e eu acredito que um caminho é o fortalecimento das associações de municípios, para que haja a discussão de ações conjuntas ao invés de vários sistemas desconectados de cada prefeitura.

3.       Qual sua opinião sobre a transformação do Detran-SC em uma autarquia? Dando mais autonomia para a entidade, visto que vários Estados do país já caminharam nesta direção.

R: Se tem uma coisa atrasada em Santa Catarina é o Detran. Para resolver qualquer problema, é preciso ir ao local pessoalmente. Em outros Estados, você pode solicitar a segunda via da carteira de identidade ou de motorista on-line, por exemplo. E aqui não. Vamos tirar o Detran da “Idade da Pedra” e implantar o Detran Digital. O cidadão espera, quer e merece um serviço ágil e de qualidade, o que passa pelo investimento em tecnologia. Hoje é possível resolver praticamente tudo pela internet e não há razão para ser diferente em Santa Catarina. E, nos casos onde o atendimento presencial se faz indispensável, é preciso melhorar esse processo. São essas as prioridades do cidadão e tem de ser essas também as prioridades do Governo do Estado.

4.       A tão sonhada conclusão da reforma da Ponte Hercílio Luz parece ser inevitável para o próximo governo. Se eleito, como o senhor pretende lidar com esta questão e quais são seus planos para a utilização da “nova” ligação?

R: Não teria iniciado a obra na Ponte Hercílio Luz, mas o Estado já investiu três centenas de milhões de reais neste projeto e agora temos que concluí-lo, e no menor tempo possível. A demora só aumenta o custo final. O destino tem que ser dado pelos especialistas de trânsito, com um estudo da mobilidade de Florianópolis. A decisão precisa ser técnica e ter o apoio da sociedade.

5.       A falta de manutenção das pontes Colombo Sales e Pedro Ivo Campo tem preocupado os moradores da Grande Florianópolis, especialmente depois da tragédia ocorrida na Itália. Por outro lado, o DEINFRA parece não estar dando a devida atenção ao problema. Que resposta o senhor pretende dar à população com relação a este assunto?

R: Houve um desmonte histórico da equipe de engenharia do Estado: profissionais qualificados acabaram se aposentando e não houve a renovação do quadro. Eu entendo e defendo que todas as informações de engenharia fiquem centralizadas em uma única estrutura, mesmo que os engenheiros e arquitetos estejam atuando em outras secretarias, que não a Infraestrutura. Essa centralização, recuperação e criação permanente da memória das obras do Estado suprirá a falta de planejamento na recuperação e manutenção, que pode comprometer inclusive a busca de financiamentos internacionais.

6.       Apesar de ter a maior parte da sua área localizada na Ilha de Santa Catarina, nossa capital ainda não tem transporte marítimo. A cada novo governo uma nova promessa de implantação de um projeto adequado que, infelizmente, até hoje, ainda não saiu do papel. Perguntamos: O que o senhor pensa a respeito?

R: Não apenas Florianópolis, mas Santa Catarina precisa de uma Política Estadual de Mobilidade Urbana que priorize e incentive o desenvolvimento urbano orientado para o transporte verde e sustentável, em que a base do deslocamento das pessoas seja a pé, seguido pela bicicleta.

O transporte coletivo precisa ser eficiente, acessível e informatizado, criando alternativas ao uso do automóvel. Vou propor a unificação das regras logísticas das cidades, definindo horários de restrições de tráfego de cargas, distribuição urbana centralizada e centros de logística, estacionamento rotativo, entre outras medidas e ações. A primeira etapa, no entanto, precisa ser a integração do transporte público da região metropolitana da Grande Florianópolis. É isso que permitirá no futuro os consequentes avanços, como o próprio transporte marítimo.

7.       Qual a importância de Organizações Não-Governamentais na luta por um trânsito mais humano e seguro?

R: O voluntariado é a essência do serviço público. É a expressão máxima disso. A conscientização, como as campanhas de educação no trânsito, são apenas uma parte do que pode ser feito. Precisamos também criar caminhos para que a própria sociedade possa fiscalizar, por exemplo, na questão das pequenas infrações de trânsito, na fiscalização cidadã das obras de mobilidade e das obras rodoviárias. A sociedade já faz isso, mas precisa do nosso apoio oficial para aumentarmos e muito a eficiência por meio de aplicativos e canais de comunicação. A tecnologia para isso já existe hoje.

Nos falta apenas implementar e trazer um ganho imenso nesse potencial do voluntariado ampliado pela inovação.

 

COMANDANTE MOISÉS

1. A cada ano, tem aumentado o número de mortos e sequelados em decorrência de acidentes nas estradas do país. Quais são as suas propostas para a prevenção de acidentes nas estradas catarinenses?


Resposta:  Inicialmente cabe ressaltar que não há uma política no País que dê um tratamento adequado ao problema do trânsito, sendo que isso acaba por se reproduzir em todas as unidades federativas.


Conforme a doutrina nacional de Defesa Civil, o acidente de trânsito é um desastre antropogênico por somação de efeitos parciais, cuja característica é a repetição frequente. Considerando a extensão dos diversos tipos de malhas viárias e o consequente fracionamento do ente estatal responsável, o que se constata é que o tratamento está muito aquém do socialmente desejado.  


A solução do problema como um todo deve ser abordada ao menos em dois aspectos principais, o primeiro passa obrigatoriamente pela educação, onde a formação adequada das pessoas trará resultados a médio e longo prazos. O segundo pode ser dividido em duas partes, onde a primeira de caráter corretivo através da fiscalização e da utilização de campanha informativas. E a segunda através da adequação das estruturas viárias à necessidade de cada local.


2. O trânsito na Grande Florianópolis está à beira de entrar em colapso. Quais são suas propostas para a melhoria da mobilidade na região?


Resposta: Embora a Capital possa ser considerada uma vitrine por abrigar a sede do Governo Estadual, bem como os principais órgãos federais dentre outros, em termos de planejamento temos que considerar a totalidade dos 295 (duzentos e noventa e cinco) municípios catarinenses.
A rigor as cidades têm sido planejadas em função dos veículos, em especial os automóveis. As pessoas são relegadas a um segundo plano, pois cada vez mais áreas são destinadas a aberturas ne novas vias e mais áreas de estacionamentos. Onde estão as calçadas adequadas? As ciclovias seguras? Áreas de lazer seguras? Faixas exclusivas para o transporte público? Acostamentos seguros? Enfim, parece que o homem esquece dele próprio.


A solução, ou ao menos a melhoria da mobilidade nas cidades catarinenses, não só a Grande Florianópolis carece do envolvimento da União, Estado e dos municípios, pois tudo começa com educação, se formarmos melhores cidadãos, teremos mais educação, mais compreensão e consequentes soluções.


3. Qual sua opinião sobre a transformação do Detran-SC em uma autarquia? Dando mais autonomia para a entidade, visto que vários Estados do país já caminharam nesta direção.


Resposta: Para uma decisão neste nível devemos antes considerar: Porque manter a situação atual? Há necessidade de promover algum tipo de alteração estrutural ou jurídica? Quais as vantagens e desvantagens? Nos locais onde já houve esta transformação quais foram os resultados?
Assim, após um estudo profundo sobre o tema buscar-se-á fazer o que é melhor para Santa Catarina.


4. A tão sonhada conclusão da reforma da Ponte Hercílio Luz parece ser inevitável para o próximo governo. Se eleito, como o senhor pretende lidar com esta questão e quais são seus planos para a utilização da “nova” ligação?


Resposta: Dado ao estágio que se encontra a reforma da Ponte Hercílio Luz, que dura a mais de três décadas, seria leviandade do poder público estatal não finalizar a obra. No entanto, há de se considerar que a sua melhor integração a malha viária da Capital depende de uma série de obras. Acredito que possibilidades que devem ser consideradas são a exploração turística e o uso preferencial para o transporte público.


5. A falta de manutenção das pontes Colombo Sales e Pedro Ivo Campo tem preocupado os moradores da Grande Florianópolis, especialmente depois da tragédia ocorrida na Itália. Por outro lado, o DEINFRA parece não estar dando a devida atenção ao problema. Que resposta o senhor pretende dar à população com relação a este assunto?


Resposta: A única resposta cabível é a realização de uma avaliação completa do atual estado de conservação das duas estruturas, e a consequente aplicação das ações corretivas para solução dos problemas encontrados.


6. Apesar de ter a maior parte da sua área localizada na Ilha de Santa Catarina, nossa capital ainda não tem transporte marítimo. A cada novo governo uma nova promessa de implantação de um projeto adequado que, infelizmente, até hoje, ainda não saiu do papel. Perguntamos: O que o senhor pensa a respeito?


Resposta: A rigor, toda política de transporte tem sido baseada no transporte rodoviário. O transporte marítimo pode ser uma alternativa viável para atendimento do transporte público de algumas regiões não só da capital. O transporte deve ser encarado dentro de todos os modais disponíveis e de forma complementar e integrativa.


A necessidade de linhas de atendimento exclusivo para o aeroporto do tipo VLT, a ampliação de rodovias que circundem a ilha integralmente, a ampliação de ciclovias de forma a incentivar a redução do uso de veículos, a criação de pistas exclusivas para o transporte público urbano, entre outras são todas alternativas a serem consideradas.


7. Qual a importância de Organizações Não-Governamentais na luta por um trânsito mais humano e seguro?


Resposta: Devemos partir do princípio que existem coisas muito importantes para o governo fazer sozinho. Não raramente, instituições governamentais têm uma visão limitada dos problemas e consequentemente das soluções.


Uma Organização Não Governamental – ONG, via de regra nasce da vontade de ajudar a sociedade, não visando lucro financeiro. Essa junção de pessoas em torno de objetivos específicos trazem um complemento às ações governamentais, desta forma são essenciais para vida em sociedade.

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