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Negligência dos Governos e Sociedade
26 de Agosto, de 2022
Artigo
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By DIRCEU RODRIGUES ALVES JUNIOR
Negligência dos Governos e Sociedade

Estamos assustados com o número de acidentes com motocicletas que adentram os PS. A todo momento, apesar da pandemia em sua época de pico houve redução de veículos nas ruas. Com isso abriram-se espaços para que a motocicleta desenvolvendo velocidade, fazendo ultrapassagens não recomendadas e desobedecendo as regras de trânsito evoluíssem para pequenos e grandes acidentes.

O fato é que a perda de trabalho e ociosidade levaram tais desempregados a busca de trabalho informal. Muitos viram a oportunidade de compra ou aluguel de uma moto. Levou muitos ao trabalho de entregas ao delivery e mesmo ao mototáxi.

A frota aumentou, quase dobrou.

São Paulo mostrou redução de 6,5% dos óbitos no trânsito no comparativo entre agosto de 2020 e agosto de 2021. Segundo Infosiga em 2021 registrou-se 419 mortes no mês de julho contra 448 no mesmo mês do ano passado, uma queda de 29 casos.

Ministério da saúde registrou 30.168 óbitos em 2020 em decorrência de acidentes de trânsito. Houve uma redução de 5,5% em relação a 2019.

Veja.... Na maior cidade do país, fala-se em mortes na via pública em um mês o que é absurdo. E nos assusta muito mais, porque quando chegam esses óbitos aos nossos hospitais aparecem aqueles que se recuperaram, mantendo alguma deficiência, muitos com incapacidade parcial, outros com incapacidade permanente necessitando cuidados.

Sofremos sempre com o que é visto na porta dos PS quando dão entrada. Mas mais sofrimento nos centros cirúrgicos, enfermarias e reabilitação. Quem não tem um caso na família de um sinistro de trânsito?

Eu abuso, mas faço com segurança. É o jargão comum. Uso o celular quando dirijo, porque faz parte do meu trabalho. São coisas que ouvimos rotineiramente. Mas nada justifica porque o risco do acidente aumenta em 4 vezes, porque não se está usando as funções cerebrais necessárias para uma direção segura.

A máquina é uma arma pesada capaz de comprometer nosso organismo e o meio ambiente. Libera gases, vapores altamente tóxicos, aquece o ambiente, produz efeito estufa, chuva ácida e vai por aí....

Quando falamos dos óbitos em Sinistros, deixamos de falar dos demais que tem o organismo comprometido pela poluição, que produz doenças graves.

A tendência é de que teremos cada vez mais sinistros com óbitos, sequelados e doentes, porque as montadoras, criando veículos maiores, bitrens por exemplo, e as áreas urbanas com vias de 60 anos atrás, estreitas, mal projetadas com curvas perigosas, sinalizações deficientes assim como iluminação.

E o que fazer para reverter esse absurdo trânsito que destroem vidas, famílias e para os quais os governos negligenciam.

Três atitudes são essenciais:  Educação, Fiscalização e  Punição.

Em cima desses três itens que os governos e a sociedade precisam atuar de maneira permanente para mudar a cultura sobre mobilidade humana, tornando-a segura e responsável.

As arrecadações dos Detrans e Prefeituras acredito que sejam suficientes para mudar a tragédia que vemos todos os dias, com famílias desamparadas por perda daqueles que as construíam e pelas deficiências causadas.

A Sociedade e Governos são responsáveis pela erradicação desse mal.

DIRCEU RODRIGUES ALVES JUNIOR

Diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego)