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25 de Junho, de 2021
Notícias
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By ROBERTO ALVAREZ BENTES DE SÁ
BR não é para ciclistas?

Neste mês de junho, todos fomos impactados com a notícia trágica da morte de dois casais na BR-101, esmagados pela carga de uma carreta que tombou na rodovia, no trecho conhecido como Morro do Boi, em Balneário Camboriú. Um desastre envolvido por uma dor imensa, mas que evidencia uma questão que há anos temos destacado: BR não é para ciclistas.

O jovem casal, que havia acabado de comprar as bicicletas, deixou seus três filhos em casa, sem imaginar que aquele seria seu último momento em família. É óbvio que ninguém sai de casa para fazer esporte pensando em não voltar para casa. Ninguém sai de casa para um hábito saudável como pedalar pensando em ser vítima no trânsito.

Aliás, cada vez mais, grupos de ciclistas, atletas profissionais ou amadores percorrem longas distâncias. Os treinos ocorrem, de forma mais concentrada, nos finais de semana. São ciclistas que trafegam em rodovias federais e estaduais que não possuem a mínima infraestrutura adequada de proteção a quem é mais vulnerável no trânsito. Faltam ciclofaixas e ciclovias e o cenário tornou-se ainda mais perigoso com as construções de terceiras faixas nas BRs 101 e 282 onde estavam os acostamentos, retirando o espaço mais seguro aos ciclistas.

Conforme destacou o jornalista Renato Igor em sua coluna, desde os anos 80 já se fez, no antigo DER, um manual para garantir mais segurança aos ciclistas com um plano que nunca saiu do papel.

Por essas e outras, atualmente é muito arriscado para os ciclistas trafegarem em rodovias de alto fluxo e velocidade. Assume-se um risco elevado e o preço pode ser a morte.

Em Florianópolis, se criou o projeto bacana Via Amiga do Ciclista, para os treinos realizados domingo pela manhã de forma segura na Beira-Mar Norte. Um projeto de mobilidade para a Grande Florianópolis previa ciclovias ao longo da BR-101 na Grande Florianópolis e de norte ao sul da ilha pelas SCs. Ainda assim, os avanços têm sido mínimos.

Dito tudo isso, o fato é que, enquanto todas estas adequações não ocorrem, o melhor é tentar criar alternativas: rotas que não dependam das BRs e SCs de alto fluxo, vias marginais, ciclovias e ciclofaixas.

Não vale a pena se arriscar entre caminhões carregados e carros em alta velocidade. A vida é um sopro e nós, apenas humanos!

Nossos sinceros sentimentos às famílias enlutadas por essa tragédia.