Agosto foi um mês especialmente importante para o MONATRAN. Ao longo das últimas semanas, tive a oportunidade de realizar três visitas institucionais que, embora tenham ocorrido em ambientes diferentes, tiveram um ponto em comum: a certeza de que a segurança no trânsito exige união de esforços. Estive com o deputado estadual Mário Motta, visitei a Delegacia da Polícia Rodoviária Federal em São José e estive com o novo presidente do Detran/SC, general Ricardo Miranda Aversa. Em cada encontro, encontrei disposição para dialogar e buscar caminhos que possam contribuir para um trânsito mais seguro.
No gabinete do deputado Mário Motta, conversamos sobre o papel do Poder Legislativo na construção de políticas públicas permanentes para a segurança viária. Mais de 37 mil brasileiros morrem todos os anos no trânsito e centenas de milhares sobrevivem com lesões e sequelas permanentes. Diante de números tão graves, não podemos aceitar que a questão seja lembrada apenas em campanhas ou períodos específicos. Segurança no trânsito precisa fazer parte da agenda política de forma permanente, com planejamento, recursos, fiscalização e, principalmente, investimento em educação.
Na Polícia Rodoviária Federal, a conversa com o novo chefe da Delegacia de São José, Daniel Catunda, mostrou novamente a importância da integração entre as forças que atuam na fiscalização e na prevenção. A troca de experiências entre a PRF e a Polícia Militar Rodoviária, inclusive no uso de novas tecnologias, demonstra que quando instituições compartilham conhecimento e trabalham de forma coordenada, quem ganha é a sociedade. Também falamos sobre educação para o trânsito e sobre a importância de aproximar as forças de segurança das crianças e dos jovens, formando desde cedo uma cultura de respeito à vida.
No Detran/SC, encontrei no general Ricardo Miranda Aversa uma característica que considero fundamental para o momento que o trânsito catarinense atravessa: experiência aliada à capacidade de gestão e decisão. Esta é a segunda vez que o general assume a presidência do órgão. Sua trajetória de 37 anos no Exército Brasileiro, com experiência em planejamento, logística, gestão e liderança, além de sua passagem anterior pelo próprio Detran/SC, lhe proporciona uma visão ampla dos desafios que precisam ser enfrentados. Não se trata, portanto, de alguém que está chegando para conhecer a estrutura. Ele já conhece o órgão, seus desafios e as dificuldades de transformar planejamento em ações concretas.
Essa experiência já se traduz em ações concretas. Entre as primeiras medidas, está a Portaria Normativa nº 11/2026, que padroniza e dá maior segurança aos exames práticos de direção. O general também trabalha em uma nova portaria para garantir isonomia na fiscalização dos instrutores autônomos, com mecanismos como a biometria. A necessidade desse controle já ficou evidente com três suspensões cautelares de instrutores que não estavam presentes durante aulas registradas, demonstrando que segurança e fiscalização precisam caminhar juntas.
Também conversamos sobre os impactos das recentes mudanças no modelo de habilitação e manifestei minha preocupação com a retirada da obrigatoriedade das autoescolas. Defendo a modernização e a redução do custo da CNH, mas não acredito que isso deva acontecer às custas da qualidade da formação. Se o objetivo é ampliar o acesso, precisamos discutir alternativas como a CNH Social e programas que permitam ao cidadão de baixa renda obter sua habilitação com uma formação adequada. Facilitar o acesso à carteira de motorista não pode significar facilitar o caminho para que pessoas despreparadas cheguem às ruas e rodovias.
As três visitas de agosto reforçaram em mim uma convicção que o MONATRAN carrega há muitos anos: ninguém salva vidas sozinho. O Legislativo tem seu papel. O Executivo tem suas responsabilidades. Detran, PRF, polícias, municípios, educadores, instrutores, entidades da sociedade civil e empresas também têm suas atribuições. Quando cada um trabalha isoladamente, avançamos pouco. Quando compartilhamos informações, experiências, responsabilidades e objetivos, criamos condições reais para mudar uma realidade que ainda ceifa milhares de vidas todos os anos.
Por isso, considero que mais importante do que as portas que conseguimos abrir é a capacidade de mantê-las abertas. O MONATRAN continuará buscando o diálogo com aqueles que têm poder de decisão e, principalmente, com aqueles que estão dispostos a colocar a preservação da vida acima de interesses individuais ou corporativos. As três agendas de agosto mostraram que existem pessoas e instituições dispostas a trabalhar nessa direção. Cabe a nós aproximá-las, somar esforços e transformar boas iniciativas em políticas permanentes. O trânsito não precisa de ações isoladas. Precisa de união, continuidade e coragem para fazer diferente.
Presidente do MONATRAN - Movimento Nacional de Educação no Trânsito