O mês da Semana Nacional de Trânsito chega ao fim, mas o problema que ela busca combater permanece. Durante esse período, campanhas, palestras e ações educativas colocam a segurança viária em evidência. Porém, quando a mobilização termina, milhões de brasileiros continuam enfrentando diariamente os mesmos riscos nas ruas e rodovias. E os números mostram a dimensão desse desafio: mais de 37 mil pessoas perderam a vida no trânsito brasileiro em um único ano.
Campanhas educativas são importantes e têm seu papel na conscientização da sociedade. O que questionamos é a ideia de que uma semana de mobilização seja suficiente para enfrentar uma realidade que se repete todos os dias, 365 dias por ano. No MONATRAN, defendemos que a educação para o trânsito seja permanente, porque os riscos não desaparecem quando termina uma campanha. O excesso de velocidade, o álcool ao volante, o uso do celular e tantos outros comportamentos continuam ameaçando vidas.
É justamente nesse cotidiano que a educação para o trânsito precisa estar presente. Uma criança deve aprender desde cedo sobre respeito e responsabilidade nas vias. O jovem precisa compreender os riscos antes de assumir o volante. E o condutor habilitado deve continuar sendo orientado ao longo de toda a sua trajetória.
É nesse cenário que também preocupa a flexibilização já promovida na formação de condutores. Enquanto o Brasil registra dezenas de milhares de mortes no trânsito, foram alteradas regras que reduzem a obrigatoriedade e a estrutura tradicional da formação nas autoescolas. Para o MONATRAN, não parece coerente buscar mais segurança nas ruas e, ao mesmo tempo, diminuir a importância da preparação de quem receberá autorização para conduzir um veículo.
Não se trata de rejeitar a modernização do processo de habilitação, mas de defender que qualquer mudança tenha como prioridade a segurança. Formar um condutor não pode ser tratado como uma simples burocracia ou como uma etapa a ser barateada. É uma preparação para assumir responsabilidade sobre a própria vida e a vida dos demais.
Em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde, 37.150 pessoas morreram em decorrência de sinistros de trânsito no Brasil. Entre elas, 15.459 eram motociclistas, 5.682 pedestres e 1.549 ciclistas. São números que deveriam provocar uma mobilização permanente, e não apenas algumas semanas de atenção especial.
Educação, fiscalização, engenharia, legislação, veículos mais seguros e políticas públicas precisam caminhar juntos. Cabe ao poder público investir em infraestrutura, fiscalizar condutas de risco e garantir uma formação adequada aos novos condutores.
O MONATRAN acredita que a verdadeira campanha começa quando a campanha oficial termina. O resultado não está na quantidade de cartazes, palestras ou publicações realizadas durante uma semana, mas na capacidade de mudar comportamentos e reduzir mortes.
Mais de 37 mil mortes em um ano não podem ser tratadas como uma estatística inevitável. Cada uma representa uma história interrompida. O trânsito acontece todos os dias. A educação, a fiscalização e o compromisso com a preservação da vida também precisam acontecer.
Presidente do MONATRAN - Movimento Nacional de Educação no Trânsito