O trânsito brasileiro registrou 12.156 mortes decorrentes de acidentes no primeiro semestre de 2026, representando um preocupante aumento de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esta violência epidemiológica gera uma média avassaladora de 67 vítimas fatais por dia, consolidando os sinistros rodoviários como um dos principais problemas de saúde pública e segurança do país.
O Brasil ocupa a quarta posição entre as nações com trânsito mais violento do continente americano, acumulando um histórico onde o total de mortes nas vias frequentemente supera os homicídios por armas de fogo.
A gravidade dos sinistros expõe a vulnerabilidade de perfis específicos na pirâmide da mobilidade urbana e rodoviária: Homens jovens representam a esmagadora maioria das mortes (com mais de 79% dos óbitos gerais registrados). Motociclistas lideram o ranking de internações por ferimentos graves e óbitos, especialmente no Nordeste, onde o número de mortes de pilotos superou o da região Sudeste que tem o maior índice de mobilidade sobre duas rodas. Pedestres enfrentam riscos crescentes, com um salto nos registros de atropelamentos fatais nas rodovias federais gerenciadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Feridos graves sofrem com sequelas físicas e neurológicas irreversíveis, gerando um custo estimado superior a R$ 20 bilhões anuais aos cofres do Sistema Único de Saúde (SUS).
As falhas de conduta superam amplamente os problemas mecânicos e são os maiores catalisadores de tragédias nas estradas brasileiras.
Velocidade incompatível e ultrapassagens perigosas, condução sob efeito de álcool, que desponta como a segunda maior causa de óbitos. Falta de atenção potencializada pelo uso de celular ao volante. Desrespeito à sinalização e ausência de distância de segurança entre veículos. Desafios de Fiscalização e Infraestrutura apesar das metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), que visa cortar as taxas de mortalidade pela metade até 2030, essa taxa de sinistros por 100 mil habitantes cresceu nos últimos anos. Especialistas apontam que a impunidade, a baixa adesão de políticas de trânsito em âmbitos municipais e as más condições de pavimento e sinalização viária travam o avanço da segurança no trânsito brasileiro.
Essas perdas causam grande repercussão social não só para familiares, mas para o Sistema Único de Saúde, Previdência Social e para economia do país já que cai a produtividade.
Vemos que a falta de conhecimento se destaca no deslocamento da população. Tudo na mobilidade humana é dinâmico, sinalizações se somam, tecnologias são introduzidas nos veículos, nas vias e não é dada informação ou treinamento e tão pouco atualização.
É óbvio que esse é o destaque maior para combatermos esse impacto doloroso que repercute na sociedade brasileira. Dar conhecimento, educar, campanhas permanentes são alertas necessárias para tornar nossa convivência sadia.
Diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego)