Ainda muito distante do ideal, como verdadeira epidemia, o trânsito e transporte preocupam a todos.
O que se propõe é imunização para o mal que assola o país.
A “Semana Nacional do Trânsito” está chegando, inicia- se dia 18 indo até 25 de setembro, ao final, dia 25, comemora-se o “Dia Nacional do Trânsito”.
Essa data vem sendo comemorada desde 25 de setembro de 1997 e não reduzimos drasticamente o número de óbitos, sequelados, incapacitados e não atendemos proposta da ONU.
Gente, são 29 anos que se vem trabalhando para um fim nobre de se manter íntegra a vida do cidadão brasileiro, sem sucesso.
Os caminhos para solução são plenamente conhecidos, mas não há um consenso ou mesmo de lideranças direcionadas para erradicar o mal. Parecem desconhecer as perdas de vidas anunciadas nas mídias e tão pouco a perda econômica e social causada.
Precisamos acelerar essa trajetória para alcançarmos o objetivo proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em 50% o número de mortes no nosso trânsito até 2030, é o segundo decênio de proposta. Para tal, precisamos mudança radical da cultura para mobilidade, não só do motorista, mas também do nosso pedestre, na realidade de toda sociedade, dos governantes e toda cúpula dirigente do nosso país.
Faz-se necessário a execução do Código de Trânsito Brasileiro que data de 1997, quando determina a “Educação de Trânsito” nas escolas. Até hoje, vários itens desse código não foram colocados em prática.
É por essa atitude de se educar desde a pré-escola que conseguiremos a longo prazo, mudança comportamental de nossa sociedade.
Educação continuada, formação de condutores, campanhas permanentes, policiamento ostensivo, participação ativa da sociedade, fiscalização e punição parecem abandonados.
Apesar das multas, infratores reclamam, mas não mudam comportamento.
Velocidade, bebida, drogas, fadiga, sono, desatenções, uso de celular continuam fazendo parte do ranking causador de nossos tristes sinistros.
Como afirmamos, necessitamos de uma imunização em curto prazo em que a fiscalização e punição precisam ser severas. Em longo prazo, atuando na mudança da cultura já na pré-escola, aos cinco anos de idade, com educação de trânsito onde serão ensinados os perigos da máquina sobre rodas. Para que serve, como fazer bom uso, sinalização de trânsito, evoluindo com leis, resoluções, chegando ao curso secundário e terciário onde dentro da física, química, biologia seriam passados conhecimentos das ações de forças exercidas sobre o veículo, de doenças causadas pelo trânsito e mesmo pelo transporte de produtos perigosos. Porque derrapam, porque capotam, efeitos do ruído, da vibração, consequências dos gases, vapores, poeiras e fuligem sobre o homem e meio ambiente. A necessidade real de utilização de equipamentos de segurança e tantas outras coisas que amadureceriam nosso jovem e ao fim de 13 anos de ensinamentos teríamos novos cidadãos, conscientes, responsáveis, conhecendo os limites da máquina sobre rodas, o respeito mútuo e zelando pela vida.
Aos 18 anos, como cidadãos diferenciados, fariam um Curso de Formação de Condutores (CFC) com treinamento em simuladores onde todas as adversidades seriam ensaiadas, saindo dali para uma pista própria para colocar em prática todo o aprendizado. De dia, de noite, na área urbana, pista molhada, desviar de obstáculo a 80 km/h, frear com freios comum e ABS, no sol, na chuva, neblina e por aí em diante. Que treinamento, né...!!!
Estamos convictos de que dessa forma atingiremos o objetivo reduzindo de maneira substancial a epidemia que hoje faz parte do nosso dia-dia. Certamente estaríamos imunizando nossa população e erradicando um mal sistemático em nossas cidades.
Diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego)