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Será?
31 de Agosto, de 2020
Palavra do Presidente
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By ROBERTO ALVAREZ BENTES DE SÁ
Será?

No final deste mês, estaremos chegando a 178 dias desde o primeiro caso de Covid-19 diagnosticado no Brasil. Aos poucos, o sentimento de medo do desconhecido vai sendo substituído por indagações quanto ao futuro. O que teremos aprendido, de fato, quando esta pandemia passar?

Será que a maneira de se comportar das nossas autoridades vai mudar? Será que alguém vai resolver cuidar da epidemia que continua no Brasil, que é a epidemia do trânsito? Será que a epidemia no trânsito vai ter o tratamento, pelo menos, parecido com o tratamento que recebeu a pandemia?

Será que a vida das pessoas que morrem no trânsito será tratada da mesma maneira que foram tratadas as vidas dos atingidos pela Covid-19? Será que o Ministério Público, o Congresso Nacional, o Governo Federal, a Justiça irão mudar a maneira de encarar as mortes no trânsito?

Acredito que até o final de tudo isso, dessa pandemia, nós teremos aproximadamente 120 mil a 150 mil mortos. Isso acontece no trânsito no Brasil em menos de quatro anos e se repete ano após ano, somando cerca de 40 mil mortos a cada 365 dias. Isso sem falar nos mais de 400 mil permanentemente sequelados a cada volta ao redor do sol por conta da epidemia no trânsito.

Será que haverá verbas para cuidar do problema no trânsito no Brasil? Ou a “única” verba existente, que é a do Funset, continuará represada? O Congresso Nacional vai votar projetos destinando mais recursos? A Polícia Rodoviária Federal terá aumentado seu contingente? Será que haverá mais fiscalização? Será que o judiciário vai acabar com a impunidade? E a imprensa? Será que ela vai encarar da mesma maneira que ela encara o problema da Covid no Brasil? Abrindo os jornais já contando o número de mortos todo o dia? Provocando o terror? Ou será que as mortes no trânsito são diferentes das mortes da Covid ou de qualquer outro tipo de doença?

Será que iremos mudar realmente? Será que a nova realidade vai mesmo existir? Será que aprendemos que estamos todos conectados e, por esta razão, precisamos pensar no coletivo, ao invés de taparmos os olhos, focando apenas no que é bom para o individual? Ou será que tudo vai permanecer como era antes? As mortes no trânsito não sendo consideradas por serem mortes chamadas de “acidente”? Será que as famílias daqueles que morrem no trânsito sofrem menos do que as famílias daqueles que estão morrendo pela Covid? Será?

Enfim, o novo normal, que nos espera, será diferente? O que aprendemos neste período da pandemia irá se tornar realidade no chamado novo normal? Ou tudo vai voltar como era antes? Será?

Os espaços que foram dados na imprensa, quase 24 por dia falando das mortes da Covid, serão dedicados a erradicação das mortes no trânsito? Ou as vítimas desta tragédia continuarão apenas registradas nos boletins policiais como “saldo dos feriadões”, sendo comentadas en passant pelo jornalismo tradicional?

Afinal, como o Brasil irá cuidar da epidemia do trânsito, que se arrasta há décadas no país? Será que vai mudar? SERÁ?

ROBERTO ALVAREZ BENTES DE SÁ

Presidente do MONATRAN - Movimento Nacional de Educação no Trânsito