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27 de Agosto, de 2021
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By ELLEN BRUEHMUELLER
Dia Nacional do Ciclista: estudo aponta aumento de 30% no número de sinistros graves

Sustentável e simples – assim podemos definir a bicicleta, já indicada como o veículo do futuro, por estar cada vez mais presente no trânsito em todo mundo. No entanto, é também o meio de transporte mais envolvido em sinistros graves, segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego – Abramet.
Dia Nacional do Ciclista

O estudo foi divulgado às vésperas do Dia Nacional do Ciclista, comemorado no dia 19 de agosto. Nesta data comemora-se também a fundação da Abramet e o dia do especialista em Medicina do Tráfego. O levantamento aponta um significativo aumento no registro de sinistros que exigem atendimento médico envolvendo ciclistas traumatizados nos primeiros cinco meses de 2021, o equivalente a 30% a mais no comparativo com o mesmo período de 2020. “Esses dados demonstram a importância de termos atenção e iniciativas focadas nesse público. O fato de o uso da bicicleta ter crescido no Brasil exige uma abordagem de prevenção ao sinistro e a Abramet está atenta a esse tema. Vamos discuti-lo em nosso Congresso no mês de setembro”, avalia e informa o presidente da Abramet, o Dr. Antonio Meira Júnior.

Nos dias 16 a 18 de setembro, a instituição realizará o XIV Congresso Brasileiro de Medicina do Tráfego, mobilizando especialistas do Brasil e do exterior para debater diversos temas, entre eles os efeitos da pandemia na mobilidade.

Aumento do número de sinistros
Em janeiro de 2019, foram registrados 1.100 sinistros graves com ciclistas, contra 1.451 em janeiro de 2021, mês com o mais alto nível de sinistros compilados no período estudado.

Os dados mostram uma leve variação nas ocorrências que mantiveram média de registro de 1.185 casos mensais nos últimos dois anos. Preparado com o suporte da agência 360° CI, o estudo da Abramet apropriou dados oficiais do Datasus, do Ministério da Saúde, relativos aos sinistros de trânsito envolvendo ciclistas.

Panorama nacional
Os dados avaliados pelo estudo da Abramet mostram a evolução dos sinistros graves com ciclistas em todo o Brasil, com um mapeamento por região, estado e município. Chama a atenção a escalada no registro de sinistros no estado de Goiás, com alta de 240% em 2021, em relação a 2020, com 406 casos a mais.
Merecem destaque, ainda, os estados em que a incidência de sinistros graves acumulou crescimento de 100% ou mais, como Rondônia (113%) e Sergipe (100%). Entre os municípios, o estudo identifica panorama preocupante nas capitais, especialmente Belo Horizonte, Goiânia e Fortaleza.

Perfil dos ciclistas
O levantamento avaliou, ainda, o perfil dos ciclistas envolvidos em sinistros graves: cerca de 80% eram homens e a faixa etária predominante está entre 20 e 59 anos, o que representa 60% dos casos.

O diretor científico da Abramet, Flavio Adura, informa que a entidade aproveitará o conhecimento produzido para propor ações e procedimentos que aprimorem o atendimento de sinistros envolvendo o ciclista, assim como o reforço de políticas públicas que protejam as vidas desses usuários. “A superioridade numérica dos acidentes envolvendo pedestres e motociclistas fez com que os ciclistas fossem negligenciados enquanto objeto de políticas de prevenção. Percorrem ruas e estradas, partilhando espaço com veículos pesados e, muitas vezes, sequer sendo percebidos. Comparada a alguém que se desloca em um automóvel, uma pessoa que circula em uma bicicleta tem uma probabilidade de óbito 8 vezes maior”, ressalta.

“O ciclista está cada vez mais presente nas ruas do Brasil e isso exige uma abordagem médica específica, portanto, nossa tarefa é produzir o conhecimento necessário para tornar o trânsito brasileiro mais saudável, olhando para todos os usuários do sistema”, acrescenta e finaliza o coordenador do Departamento de Atendimento Pré-Hospitalar da Abramet, Carlos Eid.