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28 de Outubro, de 2020
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By ELLEN BRUEHMUELLER
MOBILIDADE: O que pensam fazer os candidatos à Prefeitura de Florianópolis

Escolhida para sediar a entidade mantenedora deste periódico, Florianópolis sempre recebeu uma atenção especial da nossa equipe editorial. Como de costume, a cada eleição municipal – semelhantemente ao que é feito na eleição estadual – buscamos ouvir dos principais candidatos à Prefeitura suas propostas para o trânsito e a mobilidade urbana da capital catarinense.

Neste ano, ao invés de enviar perguntas sobre o tema, analisamos os planos de governo de cada candidato e compartilhamos a seguir as propostas relacionadas com as referidas questões (os nomes estão em ordem alfabética):

 

Angela Amin (PP)

A mobilidade urbana de Florianópolis é considerada uma questão prioritária. O conceito  de  mobilidade  urbana  utilizado  para  fins  da  identificação  e  solução  de  problemas  vai  ser  ampliado  para  além  da  simples  “capacidade  de  se  movimentar”,  devendo  levar  em  consideração  todos  os  fatores  que  influenciam  deslocamentos  tais  como:  ruas,  calçadas,  ciclovias,  corredores  exclusivos  de  ônibus  e  outros  meios  de  locomoção.

Os  deslocamentos  constantes  dada  a  centralidade  na  criação  e  dinamização  de  inúmeros   serviços,   como   órgãos   da   Administração   Pública   Federal,   de   agentes   econômicos públicos e privados, organizações sociais, dos meios de comunicação, das Universidades,   entre   outros,   faz   da   Cidade   um   destino   necessário   para   muitos   moradores  da  região  da  Grande  Florianópolis.  Afora  isso,  o  número  de  veículo  por  habitante –   1,7 habitante por veículo -  o hábito do deslocamento com o carro, e a pouca atratividade do transporte público completam o quadro que é vivenciado diariamente por todos que circulam na Cidade. 

Em  Florianópolis,  o  cidadão  fica,  em  média,  44  minutos  no  trajeto  entra  a  casa  e  o  trabalho.  É  uma  das  maiores  médias  entre  capitais,  maior  até  do  que  São  Paulo,  com  42,8  minutos,  segundo  dados  do  Instituto  de  Pesquisa  Econômica  Aplicada  (Ipea).   Em  função  disso, deve-se priorizar a orientação e a fiscalização antecipada ao descumprimento de normas,  impedindo  que  elas  ocorram,  em  substituição  à  simples  aplicação  de  multas,  cujo objetivo, muitas vezes, não é o de promover a melhoria do trânsito, mas de favorecer a arrecadação financeira. Para apoiar essa proposta, a Guarda Municipal deverá cumprir papel fundamental, seja nas vias públicas, seja educando nas escolas e em outros espaços comunitários.  Deve-se  buscar  impedir  que  o  trânsito  paralise  a  cidade,  e  que  seja  um  fator de tensão e agressividade.

Também  no  aspecto  da  mobilidade,  a  pandemia do  Covid  19  tem  provocado   diferenças marcantes. Em Florianópolis, houve restrições na liberdade de circulação e, tais  medidas  levaram  a  uma  forte  quebra  na  atividade  econômica  e  nos  volumes  de  tráfego de veículos e pessoas nas cidades. Durante este período, o grande perdedor foi o transporte coletivo. Boa parte de sua demanda advém das viagens pendulares (casa-trabalho-casa  e  casa-ensino-casa)  e,  logo  que  a  quarentena  começou,  empresas  de  ônibus  passaram  a  operar  os  horários  de  fim  de  semana  ou  de  férias  e,  algumas,  simplesmente suspenderam as suas operações devido à falta de demanda.

O  Conselho  de  Arquitetura  e  Urbanismo,  reforça  que  o  momento  atual  é  uma  oportunidade  para  as  cidades  repensarem  suas  redes  de  infraestrutura e  que  é  preciso  sermos  criativos  e  usar  essa  oportunidade  pra  repensar  aquilo  que  já  não  vinha  funcionando  bem.  Mesmo  reconhecendo  que  o  futuro  pós-pandemia  é  incerto,  o  Conselho  acredita      que  o  momento  atual  demonstra  para  todos  que  é  preciso  fazer  mudanças  estruturais  nas  nossas  cidades  e  em  alguns  modelos  que  estão  saturados  e  contribuem fortemente com a disseminação do vírus.

No aspecto da infraestrutura, vamos adequar as necessidades da Cidade para criar um  sistema  integrado  de  mobilidade  urbana  sustentável.  Desse  modo,  podemos  sair  dessa pandemia repensando nossa matriz de mobilidade, e nesse momento de transição, ações como a ampliação de calçadas, retirada do espaço de estacionamentos exclusivos para carros, fechamento de ruas para o tráfego somente de pessoas – para que circulem e pratiquem atividades de lazer –   precisam ser pensadas.   Outro ponto que precisa ser observado a partir do que vivemos agora e que pode servir de exemplo futuro, é a mudança das velocidades dos veículos nas ruas e estradas das cidades. Além disso, é preciso pensar na acomodação dos veículos entregadores de cargas,  alimentos  e  outros  serviços  que  tiveram  um  crescimento  em  decorrência  do  aumento das vendas online. Afinal, esses veículos convivem diretamente com as pessoas que transitam a pé nas ruas das cidades.

Quando a atividade econômica retornar ao normal, muitas organizações podem considerar  a  viabilidade  do  home  office/tele  trabalho.  E,  nesse  caso,  o  tráfego  sai  das  ruas  e  passa  para  as  redes  de  internet.  Só  daqui  alguns  meses  as  empresas  poderão  efetivamente  medir  os  ganhos  ou  perdas  de  produtividade  desse  novo  sistema  de  trabalho.    No  fim  das  contas,  as  cidades  iam  se  beneficiar  muito  com  a  redução  na  demanda de viagens nas horas de pico.

 

Gean (DEM)

A mobilidade urbana em uma ilha é, por si só, um desafio. Quando esta ilha está na Capital do Estado e é um dos destinos turísticos preferidos do Brasil, os desafios são ampliados. Diversas medidas foram tomadas nesses últimos quatro anos, no sentido de melhorar a mobilidade urbana de Florianópolis. 

No âmbito administrativo, voltou-se para a organização de uma super secretaria de mobilidade em atenção à transversalidade que o tema necessita. Efetivou-se a necessária articulação entre os temas: mobilidade, planejamento urbano, meio ambiente, infraestrutura e turismo. Assim, investiu-se no sistema de transporte público com ônibus mais modernos e acessíveis, disponibilização de  aplicativo  que  permite  o  planejamento  da  viagem  por  parte  do  usuário, corredores exclusivos para ônibus e a diminuição inédita do preço da passagem. 

O Asfaltaço recuperou e levou pavimentação a quase 180quilômetros de ruas,  além  de  ter  ampliado  80quilômetros  de  rota  cicloviária  na  cidade, duplicando as vias existentes. A abertura da Ponte Hercílio Luz, sob gestão integrada do município, deu prioridade para o transporte coletivo e alternativo e, ainda, para veículos com duas ou mais pessoas, fazendo com que o cidadão ganhe preciosos minutos de seu dia. Além de continuar os investimentos nas medidas já estabelecidas, pretende-se:

  • Melhorar o uso de tecnologia nas faixas exclusivas para o aprimoramento de sua utilização e aumento de sua eficiência;
  • Integrar  a  rede  de  transporte  municipal  e  metropolitana  de  modo  a proporcionar conforto ao passageiro e redução do custo do deslocamento das pessoas  entre  cidades  da  Região  Metropolitana  e  a  Capital,  tornando  o transporte coletivo uma opção mais atrativa aos que trabalham na Ilha;
  • Reconhecer a caminhada como um dos modais pertencentes ao Sistema de Transporte, garantindo investimentos e métricas como forma de ampliar o sistema viário para pedestres;

 

Pedrão (PL)

A  integração em  um sistema  multimodal  é  considerada o  fator  primordial para  uma  cidade  sustentável  neste  Plano.  Acreditamos  em  um  novo  modelo  de mobilidade  e, especialmente, em um  transporte  público  com  menos  poluição, seguro,   inclusivo   e   acessível.   O   bom   funcionamento   destes   sistemas   nos garantirá uma cidade eficiente, com impactos diretos sobre a economia, a saúde e a qualidade de vida das pessoas, incluindo o acesso a diferentes alternativas de emprego e renda.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018,  Florianópolis  possui  cerca  de  226  mil  carros,  48  mil  motocicletas  e  2  mil ônibus.  Enquanto  isso,  dados  da  SMDU  e  Detran  do  ano  de  2019  estimam  que diariamente 89 mil veículos transitam nas duas pontes, 55 mil veículos realizam o trajeto do Norte da Ilha para o Centro e cerca de 35 mil veículos deslocam-se na região  Sul  da  cidade.  As  consequências  destes  números  são  conhecidas  por todos  os  Florianopolitanos:  o  pesado  congestionamento  que  não  ocorre  apenas na região central da cidade, mas principalmente nela.

É  preciso  discutir  a  implementação  de  modais  alternativos  em  nossa cidade  e, para  isso,  vamos  priorizar  os  estudos  de  viabilidade  e  execução  do Transporte Marítimo na cidade.

•Implementar  o  Sistema  Integrado  de  Transporte  Metropolitano  da Região da Grande Florianópolis;

•Potencializar   e   priorizar   a   mobilidade   ativa (bicicleta   e   a   pé), construindo   mais   ciclovias   e   ciclofaixas,   bem   como melhorando   a qualidade  das  calçadas  de  pedestres,  considerando  as  normativas  de acessibilidade universal;

•Criar Centros de Apoio aos Ciclistas (sanitários, vestiários, recepção e  paraciclos)  nos  principais  pontos  de  ônibus,  escolas,  postos  de  saúde, creches e parques;

•Criar  a  Rede  de  Acessibilidade  Municipal  (trânsito  e  transporte) formada   por   transporte   coletivo,   pedestres,   ciclistas,   motociclistas, transportadores em geral, veículos particulares e de serviço;

•Implementar   mais   canaletas/faixas   exclusivas   para   transporte coletivo em locais estratégicos da cidade;

•Permitir   o   funcionamento   de   novas   empresas   de   transporte coletivo, bem como novas modalidades de deslocamento;

•Criar   zonas   de   baixo   carbono   e   espaços   viários   acalmados, incluindo áreas de exclusão de carros e caminhões e de uso exclusivo de pedestres e bicicletas;

•Viabilizar  em     a  iniciativa  privada  rotas  estratégicas para o transporte marítimo na cidade;

 

Professor Elson (Psol)

•Priorizar o transporte coletivo público e municipalizado com qualidade, conforto, confiabilidade, acessibilidade e financiado pelo conjunto da sociedade, na busca da implantação da Tarifa Zero;

•Investir na oferta de infraestrutura para ampliar e aprimorar o transporte marítimo com adequação de terminais de passageiros e de estacionamento das embarcações, oferecendo  condições  seguras  e  confortáveis  de  embarque  em  diferentes condições climáticas;

•Criar o Fundo Municipal de Mobilidade Urbana para financiar as iniciativas de melhoria da mobilidade;

•Estimular  a  mobilidade  ativa,  oferecendo  infraestrutura  adequada,  como bicicletários, calçadas, ciclovias e ciclorrotas, além de políticas que incentivem organizações  de  maior  porte  a  disponibilizar  espaços  e  equipamentos,  como bicicletários e vestiários, estimulando a locomoção não motorizada;

•Ampliação  e  conexão  de  ciclovias,  melhorando  a  segurança  de  pedestres  nas principais  áreas  da  cidade  (calçadas  acessíveis, sem obstáculos  e  sinalizadas), estruturas  de  apoio  aos  ciclistas  e  pedestres,  incluindo  nessas  políticas   as necessidades de pessoas com deficiência;

•Organizar  o  sistema  viário  de  forma  integrada  ao  planejamento  territorial, priorizando o transporte coletivo;

•Criar  o  Conselho  Municipal  de  Mobilidade  em  substituição  ao  Conselho Municipal de Transporte;

•Buscar  a  interlocução  com  os  outros  municípios  da  Grande  Florianópolis, discutindo de forma integrada a solução dos problemas de mobilidade na região metropolitana;

•Garantir a caminhabilidade em todo o território municipal com a construção e manutenção de calçadas com acessibilidade universal;

•Buscar  a  intermodalidade  (cicloviária,  aquaviária,  rodoviária),  priorizando  os modais não poluentes e coletivos;

•Restabelecer  a  capacidade  planejadora  da  prefeitura,  por  meio  de  condições institucionais  promotoras  de  participação  popular  na  definição  das  Políticas Públicas Urbanas e da valorização do órgão de Planejamento Municipal e de seu corpo técnico.