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30 de Março, de 2021
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By ELLEN BRUEHMUELLER
Para salvar vidas, rodovias também precisam “perdoar”

Um seminário online realizado no início do mês marcou a entrega de um dos estudos mais importante e inéditos no País ao tratar de segurança viária em rodovias. O 3º Seminário de Mobilidade Humana, Segura e Sustentável – Rodovias Que Perdoam – Brasil, realizado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), apresentou o relatório final do trabalho ao Ministério da Infraestrutura.

A ideia não nasceu agora. Foram mais de três anos entre concepção do estudo e reunião de parceiros e colaboradores. Em 2019, foi realizado o primeiro seminário sobre o tema. De lá, saíram seis células de trabalho, envolvendo cerca de 40 técnicos, que representaram mais de 60 empresas, entidades e órgãos públicos, que, durante dois anos, estudaram o que há de mais moderno nesse conceito em muitos países.

Aliás, quando se fala em segurança viária, é preciso ter sempre em mente que esse não é um tema simplista. Por isso, a necessidade de reunir profissionais de aspectos bastante diferenciados para objetivar metas e soluções em todos os problemas. Lembrando que, no Brasil, temos três esferas de poder, em que cada um tem sua parcela de responsabilidade sobre a malha rodoviária de aproximadamente 550 mil quilômetros de rodovias, sendo que a metade não tem pavimento, 192 mil quilômetros são de pista simples, 14 mil de pista dupla e 34 mil estão concedidos à iniciativa privada.

Conceito internacional

Tornar as rodovias do País seguras, ou seja, que ‘perdoem’ as possíveis falhas humanas, é um conceito internacional e adotado em muitos lugares. O estudo “Rodovias Que Perdoam – Brasil” traz exatamente isso: soluções de baixo custo e de rápida adoção para que trechos em que, hoje, são considerados perigosos possam deixar de ser ‘protagonistas’ de acidentes, envolvendo mortes ou deixando muitos feridos.

Entre os muitos resultados do estudo está a análise de que, com um investimento de R$ 500 milhões, daria para implantar três soluções – instalação de defensas, sonorizadores e cilindros delimitadores (balizadores flexíveis) –, com as quais seria possível reduzir pela metade as mortes hoje registradas nas rodovias federais e ter 30% a menos do total de feridos graves, no prazo de um ano.

Para exemplificar a função desses equipamentos, vamos lembrar de dois acidentes com ônibus ocorridos em novembro e dezembro de 2020. Um aconteceu na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, entre Taguaí e Taquarituba (SP), e deixou 42 mortos e outros cinco feridos. O motorista do ônibus fez uma ultrapassagem proibida numa curva (faixa contínua) e bateu de frente com um caminhão. Se, nesse local, houvesse cilindros delimitadores, certamente inibiríamos a ultrapassagem desse ônibus.

O outro caso aconteceu em um viaduto no km 350 da BR-381, em João Monlevade, região central de Minas Gerais, onde 19 pessoas morreram e 27 ficaram feridas. A possível causa do acidente foi falha mecânica, que fez com que o veículo parasse no meio da pista e voltasse de ré. O atual guard rail do viaduto não segurou o peso do veículo. As pessoas não morreram da possível falha mecânica, e sim da queda do viaduto. Se, naquele lugar, houvesse defensa metálica capaz de segurar o ônibus, as pessoas não teriam pago com a vida a falha mecânica do veículo.

Nove metas de segurança

O estudo propõe a adoção de nove metas de segurança viária a serem tomadas nas rodovias já existentes e nos futuros projetos. Mas ele vai além: traz uma abordagem completa que irá, intuitivamente, mostrar ao usuário quais riscos e onde todos são mais vulneráveis.”

Para ver o estudo completo, acesse o link https:www.orsv.org.br/rodovias-que-perdoam