O estresse no trânsito é um verdadeiro combustível para comportamentos de risco.
Isso vale tanto para quem dirige carros quanto para quem pilota motos.
O assunto é bastante atual, uma vez que muitas doenças clínicas acompanham- se dessa condição.
Entendemos como estresse, uma situação em que existe uma perda da capacidade adaptativa do indivíduo a situações que ele vivencia normalmente. O sujeito não consegue se adaptar e reage, muitas vezes descompensando, enfrentando um momento difícil ou fugindo dele.
O estresse pode muitas vezes ser uma resposta natural do organismo, no entanto, em alguns casos, o estresse contínuo pode ser uma causa de doença ou pelo menos um fator coadjuvante. Fatores físicos, emocionais, sociais ou ambientais podem ser os agentes desencadeadores.
São exatamente as situações de tensão, de agressão externa ou interna que ultrapassam o limite da capacidade defensiva do indivíduo. Ele não consegue mais se defender e descarrega essa energia negativa sobre o organismo. Trata- se, na verdade, de uma autoagressão, permitindo que apareçam sinais, sintomas e muitas vezes doenças. É importante lembrar que toda essa adaptação fisiológica do organismo ocorre à custa do sistema glandular, basicamente do eixo hipófise, suprarrenal, adrenalina, noradrenalina e cortisol que prepara o corpo para a luta ou fuga. Dois hormônios têm papel central na adaptação ao estresse, adrenalina e noradrenalina, que surgem na primeira fase, e o cortisol, que assume a defesa, juntamente com vários outros hormônios. Por fim, surgem novamente as catecolaminas, adrenalina e noradrenalina no caso do estresse crônico. Podemos então considerar a existência de 3 tipos de estresse. O estresse físico, o estresse psicológico e o estresse social que será tanto mais grave quanto mais injusta for a sociedade. Bem sabemos como nossa sociedade é injusta com motoboys, motofretes, mototaxistas e motoristas em geral. Vivemos exatamente esse momento no trabalho sobre uma motocicleta, automóvel, caminhão ou veículo similar.
Na prática, entre nossos operadores, percebemos a necessidade de readaptação social.
Problemas familiares e econômicos, insatisfação com as chefias e com o trabalho realizado, tudo concorre para a desarmonia e, consequentemente, para o estresse social.
Existem indivíduos dentro do nosso ambiente de trabalho que sob grande estresse, buscam fatores de adaptação como fumar, correr, beber, comer em excesso, fazer tudo em exagero, em casos extremos recorrer a drogas.
Todos que trabalham com motocicletas não ignoram o perigo e o risco a que estão submetidos. Esse é um agente de estresse contínuo que compromete o corpo e a mente. Não se deve esquecer que o estresse em alguns indivíduos se manifesta com agressividade. Saber controlar isso é extremamente importante porque atos de agressividade tem consequências negativas, tanto no trabalho quanto no lazer e no ambiente familiar.
Principais fatores de estresse no trabalho:
Pressão por tempo: Atrasos, compromissos e prazos apertados. Geram ansiedade.
Ambiente hostil: Buzinas, congestionamentos, assaltos e imprudência alheia aumentam a irritabilidade.
Exposição ao risco: especialmente para motociclistas, o perigo constante é um estressor crônico.
Impactos no organismo:
Síndrome geral de adaptação. O corpo passa por fases de alarme, resistência e exaustão. Podendo levar a doenças físicas e mentais.
Autoagressão. O estresse prolongado pode gerar comportamentos como agressividade, abuso de substâncias ou negligência com a própria saúde.
Diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego)