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Seu Voto, Seu Trânsito
26 de Março, de 2026
Artigo
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By JOSÉ ROBERTO DE SOUZA DIAS
Seu Voto, Seu Trânsito

As escolhas eleitorais moldam o caminho que você percorre todos os dias

Há temas que insistimos em tratar como técnicos, quando na verdade são profundamente políticos. O trânsito é um deles. Milhões de brasileiros enfrentam diariamente congestionamentos, transportes públicos extenuantes e um ambiente viário onde o risco se tornou rotina.

O trânsito brasileiro não nasce do improviso do dia, mas da ausência de planejamento de ontem. Ele reflete obras não realizadas, projetos suspensos, prioridades distorcidas e políticas públicas que ficaram no papel. Cada minuto perdido, cada custo logístico elevado e, sobretudo, cada vida interrompida carregam a marca dessas escolhas.

Em um país continental e potência agrícola, seguimos presos a uma matriz de transporte desequilibrada. Mais de sessenta por cento das cargas circulam por rodovias, muitas vezes precárias, enquanto ferrovias e hidrovias permanecem subutilizadas. Essa dependência encarece a produção, amplia riscos e expõe fragilidades que se repetem a cada safra e a cada feriado.

Quando se observa o que fizeram outros países, o contraste é evidente. Nações que enfrentaram desafios semelhantes decidiram planejar, investir e persistir, construindo sistemas integrados e eficientes. A diferença não está na geografia nem na sorte, mas na qualidade das decisões e na continuidade dos projetos.

Nas cidades, essa distância se amplia. O resultado é conhecido: horas perdidas, estresse e perda de qualidade de vida. O trânsito, assim, deixa de ser apenas um sistema de circulação e passa a ser um espelho da estrutura política. Ele revela onde há planejamento e onde há abandono, onde existe responsabilidade e onde prevalece o descaso e a corrupção.

Com exceções que merecem reconhecimento, a política brasileira ainda carece de vocação administrativa consistente. Muitos transformaram a vida pública em ocupação permanente, mais voltada à preservação de posições do que à solução de problemas estruturais. Nesse ambiente, decisões de longo prazo cedem espaço a conveniências imediatas.

O trânsito cobra essa conta todos os dias. Cobra do trabalhador, do empreendedor e do país. E cobra, com maior dureza, dos familiares daqueles que não retornam para casa. Não há neutralidade possível nesse cenário, nem distância entre política e cotidiano. As escolhas feitas nos planos nacional e estadual, em outubro, irão refletir, imediatamente,  nas cidades , no tempo que se perde no deslocamento, na qualidade do transporte que se utiliza e, em muitos casos, na segurança de cada um.

As eleições de 04 de outubro de 2026, portanto, têm significado direto sobre essa realidade. Votar é decidir quem planeja, executa e define prioridades. Cada escolha repercute na forma como nos deslocamos, trabalhamos e vivemos.

Mais do que escolher nomes, é preciso avaliar trajetórias e resultados. Promessas são abundantes, mas o que distingue o compromisso verdadeiro é a entrega. A escolha consciente exige atenção, memória e responsabilidade.

Também é essencial decidir quem não deve permanecer. A permanência de quem já demonstrou incapacidade ou desinteresse prolonga problemas que o país já não pode mais suportar. Renovar, aqui, é corrigir rumos.

Quem enfrenta diariamente o desgaste do deslocamento não pode dissociar essa experiência da política. O que se vive nas ruas é consequência direta do que se decide nas urnas. O Brasil dispõe de recursos e conhecimento técnico. O que falta é decisão sustentada por escolhas conscientes. E essas escolhas começam no voto.

JOSÉ ROBERTO DE SOUZA DIAS

Jornalista, Mtb 0083569 / SP/BR, Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Membro Titular da Academia Brasileira de História, Comendador da Veneranda Ordem dos Cavaleiros da Concórdia, foi Prof. Adj. Dr. da UFSC, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, ex-Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN, Secretário-Executivo do GERAT da Casa Civil da Presidência da República, Conselheiro Consultivo do Movimento Nacional de Educação no Trânsito – MONATRAN e TWO FLAGS POST – Publisher & Editor-in-Chief.