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22 de Fevereiro, de 2026
Notícias
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By ELLEN BRUEHMUELLER
Carnaval de 2026 é o mais violento da década e acende alerta para “epidemia” de embriaguez

Com recorde de 130 mortes, o balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta que o país falha ao ignorar a estabilidade emocional e a saúde mental de condutores em feriados prolongados.

O balanço final da Operação Carnaval 2026, realizada entre 13 e 18 de fevereiro, revela um cenário crítico. Foram registrados 1.241 acidentes de trânsito e 1.481 pessoas feridas. O número de mortes saltou de 85, em 2025, para 130 neste ano, além de uma alta de 8,54% nas ocorrências consideradas graves.

Para a psicóloga especialista em trânsito e presidente da Associação de Clínicas de Trânsito do Estado de Minas Gerais (ACTRANS-MG), Adalgisa Lopes, o país enfrenta uma perigosa normalização da violência nas vias.

“Não estamos diante de fatalidades casuais, mas de consequências diretas de escolhas comportamentais. O que os números deste Carnaval mostram é uma sociedade que perdeu a capacidade de se indignar com o evitável. Enquanto a avaliação psicológica for tratada como um laudo vitalício, continuaremos a permitir que pessoas em condições emocionais instáveis assumam o controle de veículos. A saúde mental no trânsito é o filtro que separa a mobilidade da barbárie”, afirma.

Embriaguez e resistência cultural

A fiscalização foi intensificada, com 118.321 testes de bafômetro realizados. Ainda assim, 2.400 motoristas foram autuados por dirigir sob efeito de álcool ou por recusar o teste.

A diretora da ACTRANS-MG, Giovanna Varoni, afirma que há um viés de otimismo entre condutores brasileiros, que minimizam os riscos da combinação entre álcool e direção.

“O motorista frequentemente acredita que o acidente só acontece com os outros, uma ilusão de controle potencializada pelo próprio efeito do álcool no cérebro. Essa percepção distorcida, somada à impulsividade, cria um cenário em que o consumo de bebidas antes de dirigir é socialmente relativizado. O álcool desativa o controle inibitório e compromete o julgamento, transformando o ato de dirigir em uma atividade de alto risco”, explica.

Outras infrações agravam cenário

Além da embriaguez, o excesso de velocidade, flagrado em 55.582 imagens, e as 9.263 ultrapassagens irregulares contribuíram para o recorde de óbitos, especialmente em ocorrências envolvendo veículos de grande porte, cuja letalidade tende a ser maior.

O vice-presidente da ACTRANS-MG e psicólogo especializado em trânsito, Carlos Luiz Souza, destaca que estresse e cansaço extremo provocam prejuízos cognitivos semelhantes aos causados pelo álcool.

“A desatenção e a reação tardia matam tanto quanto o álcool”, destacou.