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Cidade Morena

outubro/2017 - Roberto Alvarez Bentes de Sá

Reduto histórico de divisionistas entre o sul e o norte do então Estado de Mato Grosso, Campo Grande é um município relativamente jovem, que acabou de completar 118 anos de história.

Conhecida por ser uma cidade planejada em meio a uma vasta área verde, com ruas e avenidas largas e com diversos jardins por entre as suas vias, a capital sul-mato-grossense é uma das cidades mais arborizadas do Brasil sendo que 96,3% das casas contam com a sombra de um arvoredo.

O transporte urbano de Campo Grande também é modelo em muitos aspectos. Os ônibus coletivos possuem toda a frota adaptada a pessoas portadoras de necessidades especiais. Os 10 terminais de integração realmente funcionam há várias décadas. Além do sistema de táxi reforçado por um ótimo serviço de mototáxi. Isso sem falar no parquímetro eletrônico em funcionamento há mais de 15 anos, sistema de cobrança no transporte coletivo totalmente eletrônico há mais de uma década e o transporte gratuito para estudantes desde 1992.

Todavia, há algum tempo, vínhamos recebendo diversas reclamações sobre o trânsito desta cidade, que tem tudo para funcionar na mais perfeita harmonia. Inconformados com tantas observações negativas, resolvemos ir conferir in locu o que estava acontecendo na capital carinhosamente chamada de “Cidade Morena”.

A avenida que sai do aeroporto em direção ao centro da cidade de mais de 800 mil habitantes já revela uma triste realidade, encontrada em diversos municípios brasileiros: falta de sincronismo no sistema semafórico. Ao invés da tão almejada “Onda Verde”, fomos recebidos pela “Onda Vermelha” que atrapalha o fluxo dos veículos, apesar das largas pistas.

Chegando ao centro, constatamos um outro grave problema do sistema semafórico: parece não existir o tempo para a travessia do pedestre, colocando em risco dezenas de transeuntes. Na principal avenida da capital sul-mato-grossense, a famosa “Afonso Pena”, mais um fato incomoda: a largura da via não comporta as três pistas pintadas no asfalto e, a todo momento, temos a impressão de quase ser atingidos por um veículo de grande porte ou uma motocicleta apressada.

As motocicletas são outro caso a parte. O número é tão grande, que chega a impressionar. A qualidade do asfalto, em geral, está bem ruim. Um remendo grudado no outro, deixando a via cheia de ondulações. Falta sinalização e o avanço de sinal parece a coisa mais comum do mundo, como se houvesse a certeza da impunidade, numa cultura coletiva de inobservância da legislação de trânsito vigente.

Como não poderia ser diferente, o número de acidentes é visivelmente alarmante. Nos poucos dias que estivemos naquela linda terra, presenciamos diversos momentos de dor no trânsito. Uma triste realidade, que precisa ser mudada com urgência. Faz-se necessária uma mudança de postura drástica! Tanto pelos que governam, quanto pela população. Campo Grande não merece tanto descaso. Sua estrutura é invejável. Falta apenas um pulso firme para colocá-la nos trilhos novamente.

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Roberto Alvarez Bentes de Sá
Presidente do MONATRAN – Movimento Nacional de Educação no Trânsito

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