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O transporte na disseminação de doenças

novembro/2017 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

A grande mobilidade do ser humano, utilizando os mais variados tipos de veículos concorre para a disseminação de doenças e para a rápida transferência de um foco de infecção de um lado para outro.

Os pontos mais distantes do nosso planeta cada vez se tornam mais próximos. A evolução do transporte aproxima cada vez mais estes pontos. Até bem pouco tempo, somente através do transporte marítimo conseguíamos atingir outro continente.

Hoje, com o desenvolvimento tecnológico, a aviação civil rompe o tempo de percurso entre os pontos mais longínquos, e em curto período, nos deslocamos de um continente para outro. Essa rapidez facilita o transporte de doenças as mais diversas e nos mais variados pontos do nosso planeta. Além de transportar os doentes e portadores de doenças, o transporte em geral é capaz de conduzir o hospedeiro intermediário e o agente vetor favorecendo a disseminação e o aparecimento do foco a distância.

Torna-se cada vez mais difícil o controle das doenças infectocontagiosas. Sabemos que a falta de controle vai permitir o aparecimento de epidemias comprometendo todo o planeta Terra.

O transporte em geral será o responsável pela disseminação e, especificamente o transporte aéreo, será o elemento capaz de produzir a eclosão de focos epidêmicos quase simultâneos em toda a superfície terrestre, causando uma pandemia.

Doenças tropicais que estavam restritas a amazônia e o centro oeste são trazidas para os grandes centros via transporte aéreo e terrestre com vetores e portadores. Focos e berçários são disseminados. Surge em São Paulo, nas áreas verdes, macacos mortos. Observa-se a presença da Febre Amarela na maior cidade da América do Sul, com 21 milhões de habitantes.

A vigilância sanitária dos aeroportos, aeroclubes e de qualquer pista de pouso deve ser enérgica em termos de educar os aeronautas com relação ao transporte de vetores e portadores. A mesma doutrina para aqueles que por via terrestre transitam por áreas endêmicas. Tal conduta se aplicaria nos terminais rodoviários, transportadoras, trens, navios e individualmente por todos os motoristas que transitam por tais áreas.

A vigilância sanitária de cada cidade faz à fiscalização e consequentemente as punições com multas àqueles que incorrem em erros, no descumprimento as necessidades básicas em termos de Saúde Pública.

Os aeroclubes tornam-se quase sempre os pontos de desembarque dentro dos hangares de uma vasta fauna de transmissores de doenças como o vetor da Febre Amarela, Malária, Dengue, Doença de Chagas, etc.

Sabemos que todas essas doenças foram extremamente combatidas durante anos, com custos elevadíssimos, na faixa litorânea do nosso país. De poucos anos para cá, já ressurge a Dengue. Alguns raros casos de Malária já foram citados nesta região e até de Doença de Chagas. Ressurge agora a Febre Amarela.

Não podemos permitir que a infestação desta faixa litorânea, venha a trazer os problemas de saúde do passado que levaram a população ao sofrimento e à morte.

Ações de motoristas, pilotos, maquinistas, comandantes de navios e barcos em geral, transportadoras e órgãos governamentais devem combater de maneira enérgica essas zoonoses para não transformarmos este país em um berço esplêndido de doenças.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET)

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