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O Natal da imobilidade

dezembro/2017 - Ildo Raimundo Rosa

Com a chegada do final do ano, grande parte da população, assediada em seus locais de trabalho em razão da profunda crise que assola nosso país, é submetida a intensa sobrecarga em seus deslocamentos, sendo que, recentemente, relatório do Estado das Cidades da América Latina e do Caribe assevera que 80% da população da América Latina já vive em centros urbanos, sendo que 65 milhões habitam metrópoles do porte de São Paulo e da Cidade do México.

O número de automóveis e bicicletas associados ao transporte individual, nas 12 principais cidades brasileiras, sofreram um aumento de 11 milhões em 2001 para 20,5 milhões em 2011; só em São Paulo, está sediada 44% da frota nacional, a que recebeu 3,4 milhões de veículos no período analisado.

A população, por sua vez, cresceu 7,9% nessa primeira década, enquanto os automóveis aumentaram 682%.

Já quanto às perdas financeiras, resumidas ao estado de São Paulo, podem chegar à casa de 4,1 bilhões de reais por ano.

Frente a este quadro caótico e invencível, quais seriam as medidas a serem adotadas visando reduzir os múltiplos engarrafamentos, sendo que uma das propostas aventadas seria a cobrança de pedágios urbanos, já reiteradamente adotada em outros países, mas que no Brasil muitas vezes esbarra na inércia e na indolência de nossas câmaras legislativas, muitas vezes zelosas em adotarem posições demagógicas em detrimento ao que realmente deva ser feito em prol de um melhor encaminhamento desse problema.

Outra possibilidade é o aumento da malha ferroviária, a cultura por aqui é iminentemente rodoviarista. São Paulo possui 65,3 km de metrô, enquanto Nova Iorque conta com 479 km. Santiago do Chile com 83,4%, tendo a metade da população da capital paulista.

Todo esse quadro, deveras pessimista, sempre é comparado com as políticas públicas mantidas em outros países, e que, por vezes, servem de escopo para a adoção de novas políticas visando obter algum resultado positivo.
Contudo, infelizmente, as soluções que no exterior são adotadas com relativa facilidade, costumam soçobrar no Brasil enleadas na malha terrível da burocracia e da necessidade de altos investimentos, que praticamente inviabilizam toda e qualquer iniciativa.

Na própria América Latina, empresas brasileiras desenvolvem problemas de solução viárias consagradas, tais como o Transmilênio. Adotado pela Cidade de Bogotá e implantado num período relativamente curto, revolucionou a mobilidade naquela capital. Com recursos tidos como baixos, mas que não se resumiram às questões de pura e simples mobilidade, criou nas estações de transbordo verdadeiros núcleos de cidadania e de civilidade, fazendo inclusive, em muitos deles, a conexão com modais não motorizados, o que em pouco tempo fez com que uma população também mal-acostumada com a baixa opção do transporte coletivo passasse a adotar o uso misto desses diferentes modais, o que qualificou sobremaneira a mobilidade, antes tida também como catastrófica.

Assim sendo, no momento em que, no mundo inteiro, se conseguem soluções relativamente baratas e exequíveis, não podemos deixar de insistir para que nossos governantes reconheçam a necessidade de priorizar a mobilidade, no sentido de melhor atender à população e reduzir o tempo perdido das viagens.

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Ildo Raimundo Rosa
Superintendente do IPUF – Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis. Delegado aposentado da Policia Federal. Ex-secretário da Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Cidadão de Florianópolis. Membro do Conselho Deliberativo do MONATRAN - Movimento Nacional de Educação no Trânsito. Presidente do Conen/SC.

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