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Novas tecnologias a serviço da vida

agosto/2018 - José Roberto de Souza Dias

Um fantástico mundo novo abre-se aos países desenvolvidos. As inovações tecnológicas são tão rápidas que se torna quase impossível acompanha-las. A indústria automobilística tem sido um dos setores onde se observa com maior intensidade essa constante mudança. Os acidentes de trânsito, que ferem e matam mais do que as guerras, explicam em grande parte tais avanços técnicos.

Nos últimos 20 anos o objetivo das montadoras era tornar seus veículos suficientemente seguros para proteger os usuários. Muitas marcas se promoviam com a eficiência de seus cintos e airbags.

Hoje o foco está mudando, não basta apenas proteger a pessoa em caso de acidente, mas principalmente evitar que esse ocorra. Entra-se, assim, na era da tecnologia de computador e na tecnologia de sensores que ajudam a evitar colisões.

A mais importante dessas tecnologias de prevenção de colisões é o Controle Eletrônico de Estabilidade, ou ESC. No Canada já é um item obrigatório para todos os veículos novos. O ESC evita que os carros deslizem, fora de controle, aplicando os freios, momentaneamente, a rodas individuais e ou reduzindo a potência do motor.

Segundo as autoridades de trânsito canadense se o ESC tivesse sido padronizado há mais tempo, muitas mortes e lesões graves poderiam ter sido evitadas. Segundo os técnicos canadenses, existem evidências de que apenas os freios antitravamento, não são suficientes para reduzir de forma efetiva o número de colisões.

Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, as colisões traseiras são as mais comuns e graves. Sistemas de prevenção de colisão, como a Frenagem de Emergência Automática, conhecida pela sigla AEB, impedem que ocorram cerca de 50% desse tipo de acidente.

A Frenagem de Emergência Automática - AEB, funciona inclusive com um sistema de aviso de colisão frontal, observa através de câmeras e radares o que se passa à frente e busca veículos, pedestres ou até mesmo grandes animais. Se o sistema interpretar a possibilidade de uma potencial colisão alerta o condutor com luzes e alarmes para uma ação imediata. Em alguns casos, acionará os freios e ou direção, preparando o veículo para manobras evasivas. O alerta sozinho reduz as colisões traseiras em 27 por cento.

Importante salientar que essas informações são confirmadas pelo Insurance Institute for Highway Safety - IIHS, organização científica e educacional dos USA, independente e sem fins lucrativos, dedicada a reduzir as perdas - mortes, ferimentos e danos materiais - de acidentes com veículos motorizados.

Segundo Matt Bubbers, em matéria especial para o Globe and Mail, AEB ainda não é um equipamento padrão para a maioria dos veículos. Foi introduzido nos carros de luxo, mas já é opcional nos convencionais. A maioria das montadoras que operam nos USA assinaram um termo de ajuste voluntário para adotar tal equipamento nos novos veículos de passageiros até setembro de 2022.

Necessário lembrar que essas novas tecnologias demoram um pouco para chegarem ao Brasil e na maioria das vezes aparece como item de luxo e não como equipamento básico para a proteção da vida no trânsito. Nada diferente do que foi com o airbag e o cinto de segurança.

A qualidade, a capacidade e até o nome do equipamento varia com a marca. Alguns procuram manter o veículo no meio da sua faixa, enquanto outros tendem a desviar de um lado para o outro da própria pista.

Conforme afirma Himanshu Agarwal, CEO da Digital Marketing, são equipamentos fundamentais em estado de desenvolvimento, entretanto considera que para utilizá-los necessário se faz um test-drive.

Esses equipamentos só funcionam quando ligados. O IIHS, anteriormente citado, descobriu que os sistemas de aviso de saída ou escape da pista que emitiam sinais sonoros eram frequentemente desligados pelos proprietários. O Instituto concluiu que o aviso de saída de faixa não reduziu as taxas de sinistros de seguro, mas com certeza reduziu as de acidentes com veículo único, batidas laterais e frontais relatadas à polícia.

A nova tecnologia automobilística está a serviço da vida, mas depende do condutor que pode simplesmente ignorá-la para não se incomodar com os avisos sonoros do computador de bordo.

O mesmo pode acontecer com o eleitor, que apesar das constantes mensagens de corrupção nas redes sociais, é capaz de desligar-se dos alertas e continuar votando do mesmo jeito.

Lembre-se, o teste-drive do voto é a vida pregressa do candidato.

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José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Secretário-Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.

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