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Á Noite é Ideal para Dirigir um Veículo?

agosto/2018 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

À noite é comum a desorientação espacial, isto é, não conseguimos dimensionar espaços, distâncias, velocidades. Tudo se torna mais difícil, como uma ultrapassagem, manter distância ideal do veículo da frente e outras situações. As faixas de rolamento estreitas, muitas vezes não demarcadas concorrendo para mais desorientação.

As reações oculares tornam-se mais lentas. Delimitar o asfalto, a guia, isso não é feito com a precisão que se faz durante o dia. Nossa percepção cai cerca de 50% e dependendo de patologia ocular pré-existente a dificuldade é muito maior. Identificar um buraco no asfalto, um veículo com luzes apagadas na escuridão, a imagem que se vê nos retrovisores não dá o perfeito dimensionamento para transitar com segurança. A imagem é mais de contorno, vamos chamar vulto, não conseguimos detalhes dessa imagem. O pedestre atravessando a via é o exemplo do vulto no período da noite.

Observe que as pessoas acima de 60 anos não gostam de dirigir à noite. A capacidade de adaptação nesse caso torna-se mais difícil quando existe doença primária.

Além de tudo isso são necessários treinamento e adequação com as luminárias internas e externas. O ofuscamento é fator extremamente perigoso porque após cruzar o foco de luz passa-se 3 a 4 segundos com a visão totalmente prejudicada predispondo ao acidente. Nesses 3 a 4 segundos se a velocidade for de 100 Km/ h o motorista percorrerá cerca de 80 a 120 m sem perceber o que está a sua frente. Quando temos de frente ou mesmo através dos retrovisores um feixe de luz, ocorre uma contratura da pupila com objetivo de reduzir a quantidade de luz que chega à retina. Ao desaparecer o foco de luz, temos a escuridão e nessas condições a pupila tende a se dilatar com objetivo de permitir maior entrada de luz. Nesse intervalo tem-se uma cegueira momentânea como afirmamos anteriormente.

A boa aplicação das lanternas e faróis é essencial para não ofuscarmos o motorista que vai à frente e o que vem no sentido contrário. Saber da utilização dos faróis altos e de neblina, das lanternas, do pisca alerta, da sinalização noturna durante uma pane do veículo é parte integrante na formação do motorista.

Por outro lado, os faróis funcionam como sinal de alerta, perigo. Chuva, neblina, nevoeiro, utilização de freios, desvio de obstáculos são outras situações importantes que estão previstas em resolução do CONTRAN, porém, somente em aulas teóricas, precisamos evoluir a ponto de praticar em espaços específicos para tal, como num simulador.

Outro fator preponderante a ser comentado diz respeito à transição entre o dia e à noite. No crepúsculo aumenta possibilidade de acidentes.

O organismo humano na ausência de luz produz, através da glândula pineal, o hormônio chamado melatonina. Esse neuro- hormônio é que induz ao sono e tem sua produção máxima por volta de 2 a 3 horas da madrugada.

Diante de tantas situações de risco e acidentalidade no trânsito urbano e rodoviário, com milhares de óbitos, vítimas e sequelados, precisamos ampliar conhecimentos, treinamentos, reciclagem, buscando ensinar o motorista a se defender da adversidade. Ensinar a rotina é importante, mas, caracterizar a máquina sobre rodas como extremamente perigosa e fazer todos vivenciarem as adversidades, os perigos, não tenho dúvida que teremos um ganho fabuloso com a conscientização, responsabilidade, conhecimento dos riscos e o transitar mais seguro.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e membro efetivo do Conselho Deliberativo do Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito.

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