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Agora é confiar, cobrar, agir e se preciso mudar!!!

outubro/2018 - José Roberto de Souza Dias

Escrevo este Artigo dias antes do segundo turno. O Brasil busca novos rumos, pois diferentes institutos de pesquisa apontam que os eleitores tendem a votar maciçamente em Jair Bolsonaro.

Para analistas políticos e financeiros deve-se somar a esse fato outros resultados eleitorais, como a vitória de um grande número de parlamentares vinculados a chamada nova oposição e os movimentos que se desenvolveram, espontaneamente nas ruas brasileiras desde 2013, em protesto a corrupção.

Importante que se compreenda que essa “montanha” de votos obtidos pela nova oposição representa um repúdio aos 16 anos da nefasta influencia exercida pelo PT e seus aliados na vida nacional. Dezesseis anos, sim, uma vez que a chapa eleita em 2014 continuou no poder através de seu vice-presidente eleito naquela ocasião.

Necessário deixar bem claro que o apoio maciço a Bolsonaro não significa alinhamento automático às suas convicções. Muito pelo contrário, os brasileiros repudiam toda forma de extremismo, por essa razão a eleição com tom plebiscitário do dia 28 de outubro, se mantido o perfil das pesquisas eleitorais, representará entre outras coisas a condenação do PT e de sua forma de governar.

Mas, se as eleições brasileiras representam, por um lado, uma quebra de paradigmas, de outro se mantem como uma disputa entre egos, dourados com uma roupagem ideológica, mas vazios de comprometimento programático. As propostas de governo - se é que se pode dizer que existem – não passam de generalidades que se esgotam nos próprios rótulos.

Nenhum dos dois candidatos disse até agora para que veio. São mestres nos ataques e contra-ataques, mas nenhum dos dois foi capaz de definir o que exatamente irão fazer daqui a 60 dias. Parece até que estão assumindo uma lojinha de armarinhos e aviamentos e não um País com a dimensão e complexidade do Brasil. Assim, não seria de todo estranhar que em Brasília, no dia 01 de janeiro de 2018, na entrada da rampa, se estenda uma faixa com os dizeres tão comuns: sob nova direção.

É estarrecedor que os candidatos não tenham estabelecido um programa de governo onde os eleitores possam fundamentar seu voto. É o caso, por exemplo do trânsito, que nem de passagem foi citado pelos contentores.

Veja-se a gravidade do que aqui se afirma. Segundo dados disponibilizados pela Organização Mundial da Saúde, OMS, o Brasil registra cerca de 47.000 mortes no trânsito, por ano. Outras 400.000 pessoas ficam com algum tipo de sequela e esses eventos representam um custo de cerca de R$ 56 bilhões.

Para a Dra. Julia Greve - médica do Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP - os recursos gastos em acidentes de trânsito implicam pesadamente na deterioração do sistema publico de saúde, uma vez que a maioria desses eventos acabam sendo cobertos pelo SUS e não com recursos privados, ou por planos de saúde.

O Dr. Dario Birollini, cirurgião do trauma da Faculdade de Medicina da USP, costuma afirmar que o acidente é uma denominação equivocada por tratar-se, na verdade, não de uma fatalidade, mas de uma doença que pode ser perfeitamente tratada e curada.

O remédio é simples e há dinheiro para isso. Necessário se faz vacinar a população com um programa permanente de conscientização sobre a violência no trânsito. O recurso previsto no Art. 320 do Código de Trânsito vem sendo desviado, sistematicamente, pelos governantes.

Entre 1998 e 2002 período em que se lançou mão dessas medidas, os índices declinaram significativamente. Posteriormente, as mortes voltaram a crescer, entre 2009 e 2016 o total de óbitos saltou de 19 para 23.4 por 100 mil habitantes.

O trânsito é apenas um exemplo, existe muito mais. Espera-se que agora, nos 60 dias que faltam para o inicio de um novo governo se faça aquilo que não se fez no dia em que alguém pensou em doar parte de sua vida em benefício do Brasil.

A sociedade brasileira está de parabéns por usar com dignidade as redes sociais e dizer à não à corrupção. Agora é confiar, cobrar, agir e se preciso mudar!!!

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José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Secretário-Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.

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