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Ressaca ou veisalgia

outubro/2018 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

Queremos mostrar que após ingestão de maior quantidade de bebida alcoólica, mesmo com a alcoolemia zero não devemos estar na direção veicular ou operar máquinas. O excesso ingerido produzirá alterações orgânicas que comprometerão as funções essenciais para a dirigibilidade e condução da rotina do dia a dia.

O excesso de bebida alcoólica ingerida num dia produz um quadro chamado veisalgia, popularmente conhecido como ressaca, que ocorre 6 a 8 horas após a ingestão, período em que a concentração de álcool no sangue cai à zero passando a apresentar sinais e sintomas da ressaca que pode durar até 24 horas.

O etilômetro (bafômetro) jamais identificaria essa condição avessa à direção veicular e ao trabalho com máquinas, porque o álcool já foi metabolizado e transformado em acetaldeído que por sua vez metabolizado produz acetato, gás carbônico e água. Toda fisiologia fica comprometida. Cérebro, sistema hormonal e circulatório se altera passando a serem percebidos sinais e sintomas que caracterizam a ressaca.

A quantidade e qualidade da bebida alcoólica para produzir efeito e o quadro de ressaca dependem do sexo (masculino e feminino), fases do ciclo menstrual, uso de medicamento, altura, peso, alimentação, panículo adiposo, metabolismo, idade e hábito.

O álcool é depressor do sistema nervoso central, altera neurotransmissores inibindo-os. Atua produzindo sedação, em consequência reduz mobilidade, memória, julgamento e respiração.

Nesse período com alcoolemia zero, os sintomas comuns encontrados são:
- dor de cabeça - alterações visuais e auditivas
- náuseas - respostas motoras lentas
- falta de concentração - déficit atenção
- boca seca, sede intensa - raciocínio prejudicado
- tonteira - queda da sensibilidade tátil
- desconforto gastrointestinal - diarreia
- cansaço - tremores - falta de apetite
- suores - sonolência
- ansiedade - irritabilidade

Tudo dependerá da quantidade e do teor alcoólico do que foi ingerido.
A ressaca é um fenômeno prevalente pouco estudado.

A queda do teor de álcool no sangue leva a uma espécie de depressão, desorganizando todo o metabolismo. Ocorre falta de água no organismo.

É importante lembrar que a atenção, concentração, vigília, raciocínio estão rebaixados nessa fase. Mas não é só isso, as respostas motoras também estão comprometidas. A sensibilidade tátil, auditiva e visual está alterada. Tudo isso são necessidades reais para se dirigir um veículo e operar uma máquina. Assumir a direção é colocar em risco a própria vida e de terceiros.

Conclusão:
Não tenho dúvida que a chamada ressaca, fenômeno que ocorre horas após grande ingestão de bebida alcoólica, compromete todo o organismo, principalmente o sistema nervoso central. Repercutem nas funções essenciais para o trabalho com atividade de risco, quais sejam, a cognitiva, motora e sensório perceptiva. Atuar em equipamentos com potencial de risco nessas condições é extremamente perigoso e os sintomas persistem até 26 horas após a ingestão.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e membro efetivo do Conselho Deliberativo do Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito.

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