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O pior trânsito do Brasil

janeiro/2019 - Roberto Alvarez Bentes de Sá

Nesse início de Janeiro de 2019, uma matéria sobre as piores cidades brasileiras para dirigir - publicada em novembro de 2017 - voltou ao topo das mais lidas e compartilhadas nas redes sociais, especialmente entre quem mora na região da Grande Florianópolis. O motivo? Simplesmente porque a campeã não é São Paulo, como se imaginava, mas a capital catarinense. O ranking foi apurado pelo Waze, aplicativo especializado em trânsito.

Embora antiga, a reportagem serviu como uma espécie de choque de realidade, que só reforça o fato de que não evoluímos nada nos últimos anos em termos de mobilidade urbana na região, apesar de tantas contribuições acadêmicas e técnicas, como o tão “badalado” Plamus (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Região Metropolitana), que nadou, nadou e morreu na praia.

Como é óbvio e evidente, todos os estudos apontaram que um transporte coletivo eficiente é a solução mais adequada para destravar a cidade. Mas, infelizmente, devido a incompetência do poder público, o transporte individual continua sendo o preferencial para quem se desloca pelas ruas e atravessa as pontes.

De qualquer forma, trazer o assunto mais uma vez à tona também serviu para resgatar a história do transporte coletivo na região. Graças a matéria do colunista Carlos Damião, publicada no último dia 19 de janeiro, no Jornal Notícias do Dia, pudemos viajar no tempo e descobrir que o transporte coletivo rodoviário em Florianópolis completa 99 anos de operação neste ano. Começou com um ônibus (uma jardineira), do comerciante Júlio Moura, em 1920.

Naquela década, os ônibus começaram a substituir o meio de transporte que vigorava até então, os bondes da Companhia de Carris Urbanos e Suburbanos, puxados a burro, que circulavam pela área central e arrabaldes - aí entendidos pouco mais de cinco quilômetros além da Praça 15 de Novembro.

Embora implantado lentamente, o transporte coletivo foi uma primeira revolução de modernidade em Florianópolis, vindo a seguir a inauguração (1926) da Ponte Hercílio Luz. A travessia rodoviária para o Continente possibilitou a ampliação dos limites da cidade e sua integração com o município mais próximo, São José, reduzindo substancialmente o transporte coletivo marítimo (feito por barcas).

Aliás, é uma pena perceber que a cidade virou às costas para o mar há tanto tempo e até hoje engatinha na direção do retorno do transporte mais óbvio para uma Ilha. Mas o que mais nos impressionou foi constatar que, desde a década de 50, já começaram a aparecer os primeiros sinais de saturação dos pontos finais ou iniciais das linhas que conduziam aos bairros, espalhados por várias ruas do Centro. Ou seja, estamos correndo atrás do prejuízo há quase 70 anos.

Por fim, esperamos que tal resgate histórico sirva para avaliarmos o quão pouco tem sido feito em prol da mobilidade urbana na Grande Florianópolis e que, assim, possamos planejar direito e mudar o futuro.

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Roberto Alvarez Bentes de Sá
Presidente do MONATRAN – Movimento Nacional de Educação no Trânsito

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