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Trânsito e audição

fevereiro/2019 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

Os motoristas em geral não estão ligados no risco que o barulho produzido pelo trânsito é capaz de causar. Ele produz redução da audição, zumbidos e surdez.

Quanto maior o barulho e quanto maior o tempo de exposição diária maior será a perda. Não acontece num dia, logicamente, há necessidade de exposição prolongada. Depende também da sensibilidade de cada um e de doenças pré-existentes ligadas à audição.

Observe o seguinte: a legislação do trabalho recomenda que o trabalhador não deva ficar exposto a ruído acima de 85 decibéis por mais de 8 horas por dia.

Sabemos que todo veículo sem boa manutenção é bastante ruidoso chegando muitas vezes a ultrapassar os limites preconizados na legislação. Sabemos ainda que as jornadas de trabalho dos profissionais do transporte são muito longas e em muitos casos fazem até duas jornadas por dia.

Hoje, o Código Nacional de Trânsito, discordando da Legislação do Trabalho, não recomenda uso de protetores auriculares para aqueles que trabalham no transporte, mesmo sabendo tratar-se de ambiente extremamente ruidoso. Deixa dessa maneira totalmente desprotegidos os motoristas em geral.

Nós que atuamos na saúde ocupacional não conseguimos pensar de outra maneira se não na prevenção. Evitar o zumbido, perdas auditivas e surdez porque são alterações que se iniciam e o indivíduo não percebe e o pior, são lesões progressivas, crônicas e incapacitantes.

Em estudos realizados com o ruído produzido pelo trânsito chegamos a concluir que 20% dos investigados eram portadores de perdas auditivas importantes, e não sabiam. Lembro aqui que perda auditiva é uma redução da audição que pode chegar à surdez, e surdez é uma perda auditiva profunda, irreversível, e é hoje incapacitante para atividade profissional no transporte.

A perda é gradual. Não é perceptível. Vai-se perdendo com a maior intensidade do ruído e com tempo de exposição. Lógico que depende também de outros fatores como idade, suscetibilidade, fator familiar, doenças pré-existentes, etc.

Muitas vezes quem identifica a perda auditiva são pessoas da família, no convívio diário percebem que precisam elevar a voz para serem ouvidas.

Outras vezes o indivíduo observa que tem dificuldade para ouvir a televisão, por exemplo, quando alguém conversa próximo.

É comum também o indivíduo procurar o médico porque percebe um barulho dentro da orelha (ouvido), como se fosse o barulho de uma cachoeira, alguns até referem que parece existir um grilo dentro da orelha. Esse barulho, eles referem que aumenta durante a noite e que não conseguem dormir. Na verdade, a única maneira de avaliarmos isto, é através da curva audiométrica (audiometria) feita dento de uma cabine acústica pela fonoaudióloga ou pelo médico.

A conduta diante do ruído é posicionar a máquina geradora o mais distante possível do homem. A fonte ruidosa deve ficar bem longe das orelhas do trabalhador. Não podendo adotar este critério temos que pensar em enclausurar a máquina ruidosa, colocá-la em ambiente totalmente fechado. Tudo isso é também impossível no nosso caso. Partimos então para proteção coletiva e ou individual. O uso de protetor auricular (plug ou abafador de ruído) seria a alternativa. A legislação de trânsito não recomenda tal proteção. A única opção que nos resta é reduzir o tempo de exposição do motorista ao ruído. Daí pode-se entender porque de longa data recomendamos redução da jornada de trabalho para todos aqueles que direta ou indiretamente estão expostos aos ruídos produzidos pelo trânsito dos grandes centos durante a jornada de trabalho.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e membro efetivo do Conselho Deliberativo do Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito.

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