Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito

RSS

Enquete

Você aprova a implantação imediata do Transporte Marítimo na Grande Florianópolis?

Artigos

No trânsito, os brasileiros exigem mais

março/2019 - José Roberto de Souza Dias

Florianópolis, uma das cidades mais lindas do Brasil, tem um dos piores trânsitos do país. A impressão que se tem é que seus governantes a administram de costas para o mar. Impossível crer que ônibus lotados atravessem duas pontes congestionadas sobre um mar de águas calmas e não exista um transporte marítimo público, barato e de qualidade, ligando a ilha ao continente. E, diga-se de passagem, tudo isso acontecendo em plena segunda década do século XXI. Difícil de acreditar, não é mesmo!

Ao lado a velha ponte Hercílio Luz - um monumento à incompetência – desativada desde a década de 70, aguarda para um dia, quem sabe, ser inaugurada com toda a pompa e circunstância.

Enquanto isso a população é obrigada a se transportar por ônibus, o único meio disponível em uma cidade de longas distancias, cortada por estradas estaduais e que tem um mar sereno pronto para ser utilizado a maior parte do ano.

A natureza exuberante de Florianópolis pode perfeitamente elevá-la como capital brasileira da preservação ambiental. Sua população tem consciência de seu patrimônio físico e conta com suas universidades para protege-lo. Também sabe, perfeitamente, dos riscos que representa um transporte uni-modal rodando sobre pneus, queimando diesel, poluindo a natureza e expondo residentes e visitantes.
Um outro aspecto diz respeito ao acidente de trânsito – essa doença – responsável por milhares de mortes e feridos no País.

Todos sabem que o condutor de veículo é o principal vetor desse tipo de evento. Mas, evidente não é o único.
A sociedade brasileira desde a última década está mais exposta a diferentes tipos de violência, não importando o tamanho da cidade em que viva.

Politicas públicas absolutamente equivocadas estimularam a aquisição de veículos com preços subsidiados, prestações a se perder de vista e combustíveis em alguns momentos vendidos abaixo do limite do preço.
Mentindo descaradamente e usando a mídia comprada algumas vezes a preço de ouro. Governos corruptos no passado recente, venderam a falsa ideia de que uma nova classe social emergia e que todos passariam a ter acesso ao mercado de consumo, até então restrito aos de médio poder aquisitivo.

Na verdade, por trás dessas falácias dos governos passados, escondia-se a bolsa dos banqueiros e de algumas multinacionais que vendiam e financiavam produtos para consumidores, que não tinham condição de assumirem aqueles créditos.

Enquanto isso os pseudo salvadores da pátria, iam engordando suas burras, aumentando seus patrimônios e quando de todo impossível se cercavam de um laranjal que escondia tudo aquilo que roubavam.

Mas o que aqui e agora importa é o desdobramento dessa politica de fantoche na vida dos cidadãos. O que se viu acontecer em anos recentes, foi o entupimento das artérias urbanas brasileiras que começaram a ficar obstruídas pelo acumulo de veículos provocando um verdadeiro “infarto” em diferentes cidades do país.
É claro que o número de acidentes aumentou exponencialmente, inclusive em função da invasão de motos de baixa calibragem, fazendo crescer as mortes e lesões permanentes.

Em um primeiro momento as pessoas acreditaram nas mentiras televisivas do governo da época e se endividaram comprando carros, entregaram seus bens aos bancos e muitos caíram na fantasia da moto barata e de baixa manutenção.

Depois, perderam tudo, muitos até o emprego e voltaram a usar o transporte público que continuava ruim, só que mais lento pelo congestionamento constante.

Os governantes que na imensa maioria só andam em carros pretos, com motorista e ar condicionado, não fazem a mínima ideia do que é acordar cedo, ir para a luta, comer um prato feito qualquer, correr de volta ao trabalho e pegar um ônibus lotado, parando de pouco em pouco e em alguns lugares trocar de ônibus, ou metrô, ou trem, chegar em casa fazer a janta e preparar-se para a mesma rotina no dia seguinte.

É incompreensível que ainda não perceberam que veículos leves sobre trilhos tem custo baixo e podem ser construídos rapidamente pela iniciativa privada.

Só o transporte público barato e de qualidade pode reduzir os acidentes de forma drástica. Florianópolis tem todas as condições objetivas para mudar os destinos da Cidade e influenciar o Brasil.
Os governantes devem sempre lembrar que ninguém aguenta mais o velho estilo, as últimas eleições mostraram isso e, importante que se diga, em 2020 tem mais!

jrdias.jpg

José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Secretário-Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.

Leia on-line ou cadastre-se para receber o jornal em sua casa.

Fale Conosco: (48) 3223-4920 | (48) 99981-1015 ou pelo e-mail contato@monatran.org.br.