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Trânsito onerando SUS, Previdência e INSS

setembro/2019 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

O governo parece não perceber a conta a ser paga com os acidentes de trânsito pelo próprio governo, pela empresa, pelo trabalhador, pela sociedade como um todo, além da brutal queda da produção e arrecadação brasileira.

A cada uma hora cinco pessoas morrem no trânsito, outras lesionadas são incapacitadas temporária ou definitivamente para o trabalho. Não é possível que ainda haja gente que não tenha consciência desse fato, ele é notório, está presente nos jornais, telejornais, na mídia, é comentado por todos, mas só sensibiliza a família do acidentado.

Precisamos acordar para o fato, as fatalidades e os sequelados no nosso trânsito, por completo abandono da classe política, causam prejuízos incomensuráveis.

Revendo dados da Previdência Social vejo que um terço dos acidentes de trânsito foi caracterizado como acidente de trabalho.

Mas é coisa lógica, quem está na rua está trabalhando ou indo e vindo do trabalho. Precisamos entender que acidente de trabalho não é só aquele que ocorre dentro da empresa, mas também aquele que ocorre no deslocamento do trabalhador da porta de sua residência ao local de trabalho, assim como no retorno. Isso é chamado de acidente de trajeto e como tal, é também um acidente de trabalho. Além disso, aqueles que são profissionais do volante e do guidão da motocicleta, quando no exercício da atividade sofrendo acidente será caracterizado como acidente de trabalho.

Com tudo isso, 252 mil cidadãos que estiveram envolvidos em acidentes de trânsito no ano de 2017 no nosso país, 94.789 receberam o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT), que foram registrados na Previdência Social. Uns receberam auxílio-acidente de trabalho, outros auxílio-doença e muitas famílias passaram a viver de pensão coberta pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

O prejuízo causado à empresa e ao Estado é inestimável.

Quantos incapacitados definitivamente serão sustentados pela sociedade? E no decorrer de tantos anos, milhares morrerão ou se tornaram incapacitados definitivamente e que dependerão de todos nós para sua manutenção. Quantos já se encontram nessa situação?

Esse é outro lado do custo dos nossos acidentes.

O governo não está ao lado do povo, mas sim ao lado dos infratores, propondo tudo que contraria o que os especialistas recomendam para a redução das mortes no trânsito.

A prevenção é a arma a ser usada, atuando na educação desde tenra idade até a fase adulta conseguindo dessa forma mudança radical da cultura com relação à mobilidade. Cursos de formação de condutores condizentes, com treinamentos e experimentos em pistas próprias. Isso é o básico necessário que não tenho dúvida reduzirá de maneira substancial os graves acidentes urbanos e rodoviários que são estampados diariamente nos jornais. O custeio do acidente, do tratamento, das pensões, dos auxílios acidente de trabalho, auxílios doença, da queda da produção e tudo mais terá um decréscimo acentuado.

O governo sabe o que fazer, não entendemos por que não faz.

A parceria de Ministérios, uma força política, a colaboração e participação efetiva da sociedade levará esse país a sair do quinto lugar no rank mundial de óbitos no trânsito. Vale lembrar que ocupa esse lugar contabilizando apenas os óbitos, mas se fossemos comparar com a frota, o Brasil estaria em primeiro lugar desse fatídico rank.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e membro efetivo do Conselho Deliberativo do Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito.

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