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Chamando a atenção da Primeira Dama

setembro/2019 - José Roberto de Souza Dias

A Primeira Dama, Michele Bolsonaro, tem se notabilizado por sua atenção às pessoas com necessidades especiais, como a comunidade de surdos mudos que desde o início da atual gestão, pode acompanhar diferentes eventos através da Libra, linguagem brasileira de sinais.

Por tal razão é que se toma a liberdade de chamar a sua atenção para um dos problemas gravíssimos de saúde pública que abala a família brasileira.

Os dados são alarmantes e foram divulgados no último 23 de Setembro pelo DPVAT, com o objetivo de marcar a Semana Nacional do Transito. As informações foram amplamente divulgadas pela mídia brasileira.

No panorama apresentado se destacam os acidentes com motos, que deixaram um saldo de aproximadamente 200 mil mortos e cerca de 2,5 milhões de motociclistas inválidos nos últimos 10 anos. Segundo a Folha, esses números superam a população de Fortaleza. Entretanto, ao incluir-se os com sequelas menos graves chega-se a 3,3 milhões. Assustador!

A seguradora Líder, responsável pelo DPVAT - Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres – informa que a cifra de acidentados com motos e ciclomotores cresceu 72%, mais do que o dobro dos outros veículos. No se refere apenas a invalidez permanente o crescimento foi de 142%, quando comparado aos demais meios de transporte.

O fator “força de trabalho” vem sendo atingido diretamente, uma vez que 52% dos que ficam com invalidez permanente se encontram entre os 18 e os 34 anos. Importante lembrar que essas pessoas necessitam de cuidados especiais para o resto de suas vidas o que significa, muitas vezes, que mais uma pessoa da família deixa o mercado de trabalho.

O relatório salienta, ainda, que o crescimento da frota de motocicletas e de ciclomotores foi de 82% enquanto o da frota geral de 69 por cento. A esses dados se deve salientar o uso crescente das motos nos serviços urbanos, como o de entregas rápidas de alimentos e de outras encomendas, principalmente na hora do almoço e no período noturno, aumentando, consideravelmente, o risco de acidentalidade.

Os jovens que fazem esse tipo de serviço não são adequadamente preparados e trabalham estressados por pressão dos consumidores e pelo fato de ganharem por serviço executado, o que aumenta a pressa, a velocidade e a imprudência.

Abstraindo-se momentaneamente do significado social do acidente e, olhando-se para o outro lado da moeda, se observa que tais eventos causam ao Brasil um prejuízo da ordem de 23 bilhões de reais.

Muitas vezes torna-se necessário corrigir rumos, investir na formação de condutores, fomentar programas permanentes de redução de acidentes, controlar a velocidade no trânsito de forma transparente e combater o crime de beber e dirigir.

Senhora Michele Bolsonaro, por tudo isso é que se apela, com todo o respeito, à sua sensibilidade como mãe e Primeira Dama para que ouça as famílias das vítimas e estimule a implantação urgente de políticas públicas que contenham essa guerra fratricida, erroneamente chamada de acidente de trânsito.

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José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Secretário-Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.

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