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Respeito e dignidade

dezembro/2019 - Roberto Alvarez Bentes de Sá

Uma pesquisa realizada pela Defensoria Pública da Bahia constatou que o transporte público é o serviço que mais desrespeita o idoso. Na ocasião, mais de 30% da população idosa participante relatou já ter sofrido algum tipo de constrangimento no transporte público, seja pela pouca quantidade de assentos reservados aos idosos, desrespeito por parte dos mais jovens que não cedem o local ou, até mesmo, os motoristas que, passam direto no ponto de ônibus, não assegurando o direito de ir e vir dos idosos.

Uma triste realidade que não é exclusividade daquele Estado. Lamentavelmente, com frequência, recebemos relatos de idosos desrespeitados ao utilizarem o serviço de transporte coletivo em várias regiões do país.
Do Distrito Federal, por exemplo, já recebemos várias denúncias de que o motorista não para porque sabe que o idoso não paga passagem ou, quando para, o usuário tem que ouvir piadinhas como 'Aí vem o 0800'. Também chegou ao nosso conhecimento um acontecimento surreal de um aposentado que contou ter puxado a cordinha para o ônibus parar e o motorista disse que só podia pedir para parar quem estava depois da catraca e tivesse pagado a passagem. Completando que o idoso deveria esperar alguém descer para ir junto. Vejam o tamanho do absurdo!

Em Florianópolis, a situação não é diferente. Não só com relação aos idosos, visto que o desrespeito é geral. O desconforto dos veículos é enorme. O espaço entre os bancos não é suficiente para as pernas de uma pessoa de estatura média. A largura das poltronas também não comporta uma pessoa. Faltam assentos especiais e os colaboradores das empresas são orientados a não se “envolverem” em discussões relacionadas ao mal uso dos lugares preferenciais para evitar desgaste.

Para completar, alguns motoristas acham que estão em uma pista de corrida e parecem se esquecer de que estão transportando pessoas, na sua maioria, frágeis. Mulheres grávidas, portadores de necessidades especiais, crianças e idosos precisam fazer uma verdadeira ginástica para se manterem sentados dentro dos veículos, tamanha agressividade da direção de alguns. Dias atrás, presenciei uma senhora ser projetada do seu assento, por conta de uma freada brusca. Vocês percebem a gravidade desta situação?! O mais revoltante é que a maioria faz vistas grossas.

Este incidente, inclusive, me fez lembrar das vezes que andei de ônibus na capital sul-mato-grossense. Por lá, onde o transporte é integrado de fato, toda a frota possui ar condicionado e é 100% adaptada, os motoristas costumam ser bem mais gentis no volante e, qualquer freada mais forte ou curva mais puxada é prontamente repreendida pelos usuários que, geralmente, repetem a máxima regional: “o senhor não está carregando boi não!”.

Creio que seja também por esta pro-atividade dos próprios usuários que o transporte coletivo em Campo Grande esteja tão à frente do sistema daqui. Aliás, cabe ressaltar que, por lá, estudantes (do berçário à pós-graduação) têm 100% de gratuidade para se deslocar para a instituição de ensino, desde 1992. Mais uma situação invejável!

Por fim, esperamos que o transporte coletivo de todo o Brasil aprenda a ser mais humano e seguro, em especial para os idosos. Afinal, não podemos lutar contra o tempo, mas sim contra o desrespeito. Envelhecer com dignidade é um direito garantido por Lei!

Lembrando ainda que os usuários que forem discriminados ao usar transporte público podem denunciar o problema na empresa responsável ou no Conselho de Direitos do Idoso de seu estado, sendo necessário anotar o número da linha, o horário e a data.

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Roberto Alvarez Bentes de Sá
Presidente do MONATRAN – Movimento Nacional de Educação no Trânsito

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