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Outra Década

fevereiro/2020 - Roberto Alvarez Bentes de Sá

No ano em que deveríamos estar comemorando milhares de vidas salvas pelas ações da Década estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), estamos ainda contando os mortos de um período marcado pela ineficiência e total descaso do Estado para com esta verdadeira epidemia que assola o trânsito no nosso país.
Enquanto diversos países levaram a sério o objetivo da Década de Ação pela Segurança no Trânsito (2011-2020) de reduzir em 50% o número de mortes nas estradas, o Brasil demorou oito anos para criar um Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), através da Lei 13.614/2018, que na verdade, nunca saiu do papel.

Aliás, com a constante dança das cadeiras na direção dos órgãos ditos “competentes”, a segurança no trânsito foi só “empurrada com a barriga”, sem ter sido estabelecida qualquer política pública que pudesse reverter a carnificina das nossas estradas, onde morre pelo menos uma pessoa a cada 15 minutos.

Segundo Relatório do DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres), de 2010 a 2019, 472.860 indenizações por morte foram pagas. Quase meio milhão de vidas ceifadas de nosso convívio. E, embora, em alguns anos, tenha havido alguma queda no número de mortos nas estradas, lamentavelmente, não existe uma tendência de redução. Trata-se apenas de uma oscilação nos números que reflete a total falta de interesse de nossos gestores, que em geral só fazem manipular dados e maquiar a realidade, com o claro objetivo de tentar ludibriar a população. Como quando o Ministério da Saúde divulga a informação de que, em 2017, foi registrado um total de 35,3 mil mortes no trânsito e o Relatório do DPVAT mostra que foram pagas 41. 151 indenizações por morte.

E, mesmo com essas informações “desencontradas”, o Brasil é, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o quarto país com mais mortes no trânsito - atrás somente de China, Rússia, Índia e Estados Unidos. Observando, no entanto, que a frota de veículos dos Estados Unidos, por exemplo, é muito maior, com cerca de 120 milhões de carros a mais do que a frota brasileira.

Todavia, como não se pode mudar o passado, ao iniciarmos esse novo ano, recebemos uma oportunidade de fazer diferente daqui para frente. Uma nova chance, materializada há poucos dias, durante a terceira Conferência Global da ONU sobre Segurança no Trânsito, realizada em Estocolmo, quando foi estabelecida uma Nova Década com um chamado aos países-membros para a adoção de medidas destinadas a reduzir as mortes no trânsito em pelo menos 50% até 2030.

Mais uma vez, o Brasil se fez representado. Uma delegação chefiada por Marcello da Costa, secretário nacional dos Transportes Terrestres, assumiu o compromisso de lutar por um trânsito mais humano e seguro, onde milhares de vidas sejam preservadas. E, assim, nossas esperanças se renovam e nos colocamos à disposição para continuar unindo forças nesta luta.

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Roberto Alvarez Bentes de Sá
Presidente do MONATRAN – Movimento Nacional de Educação no Trânsito

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