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Doença epidêmica no trânsito

fevereiro/2020 - Dirceu Rodrigues Alves Júnior

Você já ouviu falar da gravidade dessa doença? Tomou alguma atitude para erradica-la?

Ela não faz parte de sua caderneta de vacinação, mas medidas urgentes de curto, médios e longos prazos precisam serem adotadas.

Hoje o trânsito é anárquico, ninguém respeita ninguém. As regras e sinalizações não obedecidas, tudo avesso às necessidades da sociedade. O poder público pouco faz. Investimentos em prevenção quase sempre pontuais, é um momento, campanhas que se iniciam e logo terminam. Nada há de consistente, permanente, nada se investe na mudança da cultura com relação a mobilidade humana. Educação de trânsito, artigo constante no Código de Trânsito Brasileiro, desde 1997 não é cumprido. É o caos que vivemos em decorrência da falta de força política para ações drásticas.

E surge o CONTRAN, na contramão do objetivo maior para erradicação da doença no trânsito que assola o nosso país, convertendo em uma simples advertência as infrações leves e médias. Falamos em doença epidêmica, porque saímos de casa saudáveis, de repente, na via pública, viramos doentes e damos entrada em prontos socorros em estado lastimável.

São milhares de doentes/ano que evoluíram para morte no local do acidente, no trajeto ou dentro dos hospitais. Outros incapacitados temporária ou definitivamente para o trabalho. É inestimável o preço dessa doença para as famílias e para o estado. Não se imuniza a sociedade contra essa enfermidade como todas as outras.

Relaxar na fiscalização e na punição é igual a aumentar a anarquia que já vivemos. A "Década de Segurança Viária", proposta pela ONU, finda sem nenhum sucesso e óbitos e sequelados aumentam de maneira contrária a proposta que é diminuir em 50% a mortalidade no trânsito.

Doença maldita que enxergamos e nenhum curativo, vacina, remédio vemos serem adotados não só pelas autoridades, mas pela sociedade como um todo.

Não há dúvida, os Detrans são estaduais e a intercomunicação precária. Não temos um cadastro único. Milhares de infratores transitando com pontuação enorme e dívida com os Detran, sem documentação exigida, com veículos em péssimo estado de conservação, sem vistoria, sem um banco de dados para um real controle, tudo favorecendo o sinistro e a disseminação da doença.

Punição severa é o que precisamos de imediato, com intuito de moralizar, fazer respeitar. Não concordamos com o que dizem que os Detrans arrecadam constituindo a "Indústria da Multa". Se foi multado é porque estava transgredindo e transgredir no trânsito é grave, gravíssimo. Temos que respeitar as regras e principalmente a vida. Viver saudável é a necessidade, temos que encontrar através de atitudes das autoridades e principalmente da sociedade a vacina para erradicarmos o mal.

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Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e membro efetivo do Conselho Deliberativo do Monatran - Movimento Nacional de Educação no Trânsito.

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