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Trânsito ao redor do mundo

20/11/2017

Massachusetts, EUA: A Disputa da Gentileza

Viajar é sempre uma experiência inspiradora! Especialmente, quando temos a oportunidade de conhecer novas culturas, novos jeitos de se comportar e viver. Há poucas semanas, parte da equipe de reportagem do jornal O Monatran esteve visitando algumas cidades do estado de Massachusetts, localizado na Costa Leste dos Estados Unidos.

Apesar de seu pequeno tamanho, sua geografia é diversificada, sendo que seu terreno é bastante acidentado. Todavia, é o centro econômico, cultural e educacional da região conhecida como Nova Inglaterra, sendo o estado mais populoso da região, por concentrar aproximadamente metade de toda a população da Nova Inglaterra, mais de 6,8 milhões de habitantes.

Dentro deste contexto, nossa equipe buscou conhecer e estudar o trânsito local, a fim de perceber os pontos fortes desta região internacionalmente conhecida por abrigar em seu território famosas universidades, como a Harvard University e MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

A primeira constatação foi: quanta diferença! E talvez nosso leitor agora esteja pensando que exaltaremos a infraestrutura impecável, com suas highways cinematográficas, viadutos e elevados que se entrelaçam, túneis subaquáticos e muito mais. Certamente, também serão questões abordadas a seguir. Mas o que chamou mais atenção foi que a diferença está longe de passar apenas pelas atuações dos administradores públicos e suas grandes obras. A diferença gritante começa no mais básico: no agir das pessoas. O jeito de ser dos moradores é diferente e isso reflete na maneira com que transitam pelas vias e interfere diretamente na mobilidade do país.

Em 15 dias de viagem, rodando diariamente pelas estradas da região, não se ouviu uma buzina ansiosa, nenhum carro se aproximou demais querendo forçar uma ultrapassagem, não se viu nenhum motorista “furar” fila nos acessos e o respeito ao pedestre é exemplar. Sem dúvida alguma, o trânsito em Massachusetts poderia ser definido na expressão: “disputa da gentileza”, chegando a constranger quem está “acostumado” com a ferocidade do trânsito brasileiro.

Confira a seguir algumas questões interessantes, observadas no trânsito de Massachusetts. Antes, porém, vale lembrar que nos Estados Unidos as leis são independentes em cada estado, ou seja, cada um dos estados do país pode ter algumas variações legislativas, inclusive relacionadas ao trânsito. Por isso, algumas regras que serão mencionadas a seguir, podem não valer para outros estados norte-americanos.

Conversão à direita com o sinal fechado – Em Massachusetts, é possível virar à direita mesmo quando o semáforo estiver indicando a luz vermelha (Right Turn On Red). Para os carros que já encontram-se na pista da direita, a conversão não irá atrapalhar o trânsito, e isso é permitido desde que o motorista pare e olhe se o tráfego está livre.

STOP (Pare) – Embora aqui no Brasil o PARE nem sempre seja respeitado, lá nos Estados Unidos, STOP significa mesmo PARE. Não quer dizer reduzir a velocidade, ver se está tudo ok e seguir em frente, mas sim, parar mesmo que por um pequeno segundo. E quando se encontrar em um cruzamento, mesmo com quatro sentidos, fique atento à ordem de chegada dos veículos, pois isso indicará o momento certo que você deverá atravessar o cruzamento: devem sair por primeiro os veículos que chegaram antes à intersecção ou cruzamento. Essa regra vale também para casos de falta de energia em locais com semáforos.

Pedestres – A teoria é a mesma que deveria ser praticada no Brasil: se o pedestre colocar o pé na faixa de cruzamento, a preferência é dele e você deve parar para que ele atravesse em segurança (mesmo onde encontrarmos semáforos exclusivos para eles). Mas, na prática: basta o pedestre se aproximar do cruzamento, que os carros param nos quatro sentidos da via. Uma verdadeira aula de cidadania e educação! Aliás, é importante observar a ótima qualidade das calçadas ao longo de todas as vias urbanas, assim como em muitas rodovias, em perfeitas condições e sempre com rampas de acessibilidade.

Permissão Internacional para Dirigir (PID) – Apenas a título de informação, lembramos que os Estados Unidos é um dos países integrantes da Convenção de Viena, que aceita que estrangeiros façam uso da Permissão Internacional para Dirigir (PID) no país. Essa permissão somente pode ser obtida no país de emissão de sua habilitação nacional. No entanto, a permissão internacional não substitui a sua habilitação nacional, portanto, lembre-se sempre de carregar os dois documentos, para evitar problemas com oficiais de trânsito.

Policiamento – A presença dos policiais de trânsito é constante. Numa simples obra de recapeamento asfáltico, é possível observar diversos policiais orientando os motoristas e sinalizando os desvios.

Por fim, não poderíamos deixar de comentar sobre a infraestrutura da capital do Estado. Berço da independência americana, a histórica cidade de Boston é encantadora, além de ser palco da ousada construção do chamado "Big Dig", onde várias interestaduais foram transferidas de vias expressas de superfície para túneis de até dez pistas, cujo projeto levou cerca de 12 anos para ser concluído.

O Centro da cidade agora se liga sem interrupções até o porto recuperado, o que transformou Boston numa cidade completamente diferente, com modernos parques, como o Rose Kennedy Greenway, com extensas faixas de gramados que se esparramam ao longo de quase dois quilômetros, intercalando objetos de arte popular e áreas de lazer que margeiam a Atlantic Avenue.

E para nos despedirmos desta cidade incrível, nossa equipe ainda teve a oportunidade de transitar pelo Ted Williams Tunnel (TWT), parte do chamado Big Dig e terceiro túnel a atravessar sob o porto de Boston. Com cerca de 2,5 km de extensão, dos quais aproximadamente 1,2 km estão de baixo d’água, o TWT liga o centro da cidade ao Aeroporto Internacional de Boston Logan. Um espetáculo invejável para quem sofre com a escassez de travessias entre Ilha e Continente na Grande Florianópolis e ainda precisa ouvir desculpas esfarrapadas de administradores públicos, que dizem ser impossível construir uma simples passarela para pedestres que ligue o TICEN à Alfândega. Mas este já é um assunto para outro artigo.

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