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Presidente Bolsonaro, Não mexa com os radares!

25/4/2019

Radar, bom senso e caldo de galinha

A questão do bom senso, hoje mais do que nunca, aplica-se a várias situações vividas pelo Brasil. Ousa-se dizer até, que os resultados das eleições de outubro de 2018, apoiaram-se nesse mesmo pressuposto.

Os eleitores cansados da corrupção, da manipulação ideológica e da deterioração dos costumes usaram o bom senso na escolha de uma nova rota e depositaram seu voto em apoio à Lava Jato.

A opção que fizeram representava suas aspirações.

Evidente que isso está longe de representar uma carta branca ou apoio inconteste a qualquer medida. Afinal o voto é plantio, cobrar que se cumpra o prometido é a colheita, por isso mesmo obrigatória.

Natural que nos primeiros quatro meses de uma nova administração se sintam alguns sacolejos. Por isso cobra-se e vigia-se.

Alguns equívocos têm sido cometidos nesse período inicial de governo, mas a intenção demonstrada de retirar os radares das estradas brasileiras demonstra desconhecimento de um dos mais graves problemas de saúde pública do País.

É compreensível pois foi praxe nos últimos anos a estratégia de terra arrasada. Governantes atrasados, ideológicos e medíocres, mais preocupados com seus adversários políticos do que com o bem-estar da sociedade brasileira, usaram a tática de não passar informações de Estado.

Isso pode explicar o fato do governo, que recém assumiu, não ter um quadro perfeito da gravidade dos acidentes de trânsito, tão bem explicitados em relatórios minuciosos que mostram que o trânsito brasileiro deixa mais vítimas do que guerras e atentados pelo Mundo.

Estatísticas importantes da Policia Rodoviária Federal revelam que entre 2015 e 2018, houve 24.801 mortes e 330.491 feridos (somente nas estradas federais). O número de óbitos deve ser superior, se contabilizados ao que vieram a falecer nos hospitais.

Segundo especialistas, há vários estudos demonstrando que a fiscalização de velocidade diminui a ocorrência de acidentes, sobretudo com vitimas.

Afirmam, ainda, que o radar é uma ferramenta importante se for bem utilizada. Em alguns casos destacados pela imprensa, a população não aceitou a implantação do radar porque foi colocado em locais onde não ocorriam acidentes e fixando uma velocidade muito baixa, com claros objetivos arrecadatórios.

Um radar colocado em local onde ocorrem acidentes se bem sinalizado, gera efeito positivo na segurança do trânsito e tem apoio integral da sociedade. Criando, assim, um efeito psicossocial positivo.

Um bom exemplo é a BR 116, na região sul do Estado de São Paulo onde o Presidente da República passou parte de sua juventude, e que era conhecida como a rodovia da morte. A duplicação dessa via, a princípio estimulou o aumento da velocidade e, consequentemente de acidentes, feridos e mortos.

A instalação de radares acompanhados porsinalização avisando a existência dos mesmos tornou aquela estrada muito mais segura. Bons exemplos são a Serra do Cafezal e o Vale do Ribeira, locais de triste memória, e onde hoje se trafega com segurança e paz.

Deve-se lembrar, que a Resolução do Contran de número 08/98 (íntegra na página 15), estipulou de forma clara e objetiva a obrigatoriedade de sinalização indicativa de fiscalização eletrônica.

Infelizmente, lobbies poderosos em consonância com interesses subalternos se opuseram à proteção da vida e a Resolução 8/98 foi revogada. O argumento usado pelos defensores da fábrica de multas era de que   os condutores diminuíam a velocidade nos locais indicados e depois voltavam a abusar da velocidade.

A verdade, entretanto, foi bem outra. As estatísticas da Policia Federal mostraram que o número de fatalidades decresceu em vias eletronicamente bem fiscalizadas e sinalizadas.

Senhor Presidente da República, ninguém nasce sabendo governar, isso também se aprende e não é demérito algum. Muito pelo contrário, é uma demonstração de humildade e de generosidade.

Em algumas ocasiões o Senhor já demonstrou possuir essas qualidades e saber voltar atrás quando necessário. Assim, espera-se que repense cautelosamente a questão dos radares. Retirá-los, diminuí-los ou desliga-los para saber o que pode acontecer, tem o mesmo sentido de fazer um teste com a vida dos outros, como afirma o especialista, Engenheiro Leles de Souza.

A Resolução Contran 8/98 pode ser o caminho do meio. Editar uma nova Resolução no mesmo sentido obrigando que os radares sejam sinalizados, informando ao longo da via a existência de fiscalização eletrônica, impedindo a mudança brusca de velocidade, deixando perfeitamente indicada a velocidade de cada trecho, é a forma mais acertada para prevenir acidentes e proteger a vida.

Afinal, cautela, bom senso e caldo de galinha, não fazem mal a ninguém.

Por José Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Secretário-Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.

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